{"id":129,"date":"2022-11-08T04:38:40","date_gmt":"2022-11-08T04:38:40","guid":{"rendered":"https:\/\/observatorioantiespecista.com\/?p=129"},"modified":"2022-11-08T04:38:40","modified_gmt":"2022-11-08T04:38:40","slug":"o-conflito-entre-defesa-dos-animais-e-ambientalismo-no-que-diz-respeito-a-intervencoes-que-afetam-os-animais-selvagens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/observatorioantiespecista.com\/index.php\/2022\/11\/08\/o-conflito-entre-defesa-dos-animais-e-ambientalismo-no-que-diz-respeito-a-intervencoes-que-afetam-os-animais-selvagens\/","title":{"rendered":"O conflito entre defesa dos animais e ambientalismo no que diz respeito a interven\u00e7\u00f5es que afetam os animais selvagens"},"content":{"rendered":"<p><strong>O conflito entre defesa dos animais e ambientalismo <\/strong><strong>no que diz respeito a interven\u00e7\u00f5es que afetam os animais selvagens<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Autor:<\/p>\n<p>Luciano Carlos Cunha<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong style=\"font-family: NonBreakingSpaceOverride, 'Hoefler Text', 'Noto Serif', Garamond, 'Times New Roman', serif; letter-spacing: normal;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-128\" src=\"https:\/\/observatorioantiespecista.com\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/2-1-300x169.png\" alt=\"\" width=\"511\" height=\"288\" srcset=\"https:\/\/observatorioantiespecista.com\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/2-1-300x169.png 300w, https:\/\/observatorioantiespecista.com\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/2-1-1024x577.png 1024w, https:\/\/observatorioantiespecista.com\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/2-1-768x433.png 768w, https:\/\/observatorioantiespecista.com\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/2-1-1536x865.png 1536w, https:\/\/observatorioantiespecista.com\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/2-1-1200x676.png 1200w, https:\/\/observatorioantiespecista.com\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/2-1.png 1640w\" sizes=\"auto, (max-width: 511px) 100vw, 511px\" \/><\/strong><\/p>\n<ol>\n<li><strong> A situa\u00e7\u00e3o dos animais na natureza, em decorr\u00eancia dos processos naturais<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Muitas pr\u00e1ticas humanas prejudicam direta ou indiretamente os animais que est\u00e3o na natureza. Entretanto, nos \u00faltimos anos v\u00e1rios autores t\u00eam apontado que, se os animais merecem considera\u00e7\u00e3o, parar de prejudic\u00e1-los n\u00e3o \u00e9 o bastante<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. Isso porque, ao contr\u00e1rio do que comumente se pensa, os animais j\u00e1 s\u00e3o altamente prejudicados pelos processos naturais, com total independ\u00eancia das a\u00e7\u00f5es humanas. Fome, sede, doen\u00e7as, desastres naturais e eventos meteorol\u00f3gicos hostis, por exemplo, s\u00e3o a norma na natureza<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. Al\u00e9m disso, a maioria das esp\u00e9cies de animais possui ninhadas gigantescas (com milhares ou mesmo milh\u00f5es de filhotes, dependendo da esp\u00e9cie) &#8211; algo comum em anf\u00edbios, r\u00e9pteis, peixes e invertebrados em geral. Em per\u00edodos de aproximada const\u00e2ncia populacional \u00e9 poss\u00edvel medir a taxa de mortalidade prematura a partir do tamanho da ninhada: se a popula\u00e7\u00e3o permaneceu aproximadamente constante durante algumas gera\u00e7\u00f5es, isso \u00e9 um indicador de que em m\u00e9dia sobreviveu apenas um descendente por adulto (isto \u00e9, dois por ninhada, e menos do que isso se h\u00e1 adultos que se reproduzem mais de uma vez na vida)<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. Isto \u00e9, em decorr\u00eancia dos processos naturais, para cada animal que consegue sobreviver, milhares ou mesmo milh\u00f5es nascem apenas para experimentar quase que somente (ou mesmo somente) sofrimento extremo e morrer muito prematuramente. A quantidade de animais que padece desse destino \u00e9 t\u00e3o gigantesca que faz at\u00e9 mesmo os n\u00fameros da explora\u00e7\u00e3o animal, que j\u00e1 s\u00e3o enormes, quase desaparecerem em compara\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. Isso \u00e9 assim n\u00e3o por conta de efeitos diretos ou indiretos de pr\u00e1ticas humanas: j\u00e1 era assim muito antes do aparecimento da esp\u00e9cie humana.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong> Interven\u00e7\u00f5es na natureza para ajudar os animais e interven\u00e7\u00f5es para mat\u00e1-los<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por conta das raz\u00f5es apontadas acima, nos \u00faltimos anos tem surgido uma proposta de pesquisar maneiras de minimizar o sofrimento e as mortes prematuras dos animais que est\u00e3o na natureza<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>. Curiosamente, essa proposta por vezes recebe rejei\u00e7\u00e3o mesmo por parte de quem se preocupa com os animais. Mais curiosamente ainda, programas ambientalistas de interven\u00e7\u00e3o na natureza que envolvem a matan\u00e7a de animais selvagens<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a> (como o exterm\u00ednio de animais que s\u00e3o membros de esp\u00e9cies classificadas como invasoras, por exemplo) recebem ampla aceita\u00e7\u00e3o, inclusive de v\u00e1rias pessoas que se preocupam com os animais.<\/p>\n<p>Um dos motivos pelos quais isso acontece \u00e9 simplesmente o fato de as pessoas terem uma ideia equivocada em rela\u00e7\u00e3o a ambos os tipos de proposta. Na vis\u00e3o comum, a proposta de ajudar os animais selvagens, ou n\u00e3o percebe que ajud\u00e1-los pode ter consequ\u00eancias negativas em longo prazo, ou sabe disso mas defende ajudar mesmo que o resultado seja pior do que aquele decorrente de n\u00e3o ajudar. Isto \u00e9, na vis\u00e3o comum, a proposta de ajudar os animais selvagens, ou \u00e9 ing\u00eanua, ou \u00e9 inconsequente. De acordo com essa mesma vis\u00e3o, as interven\u00e7\u00f5es ambientalistas matam uma boa quantidade de animais, mas apenas porque essa \u00e9 a \u00fanica maneira de garantir que, daqui para frente, n\u00e3o haja uma quantidade ainda maior de sofrimento e de mortes prematuras de animais. Segundo essa vis\u00e3o comum, isso fica evidente pelo fato de as interven\u00e7\u00f5es ambientalistas almejarem preservar a biodiversidade e o equil\u00edbrio ecol\u00f3gico, al\u00e9m de serem bem informadas pela ci\u00eancia da ecologia (o que faz com que saibam quais ser\u00e3o as consequ\u00eancias em longo\u00a0 prazo, diferentemente do que acontece no caso dos proponentes de diminuir o sofrimento dos\u00a0 animais selvagens).<\/p>\n<p>Nos itens a seguir, defenderei que essa vis\u00e3o comum entende de modo completamente equivocado ambas as propostas, e que essa percep\u00e7\u00e3o equivocada quanto a esses casos espec\u00edficos de interven\u00e7\u00e3o na natureza s\u00e3o exemplos espec\u00edficos da confus\u00e3o mais geral em rela\u00e7\u00e3o a quais s\u00e3o as metas do ambientalismo e da defesa dos animais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong> Por que a vis\u00e3o comum est\u00e1 equivocada quanto \u00e0 meta ambientalista<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma parte do p\u00fablico aprova as interven\u00e7\u00f5es ambientalistas porque acredita que elas almejam conseguir o melhor estado de coisas para os animais. Isso fica evidente em afirma\u00e7\u00f5es do tipo: &#8220;os defensores dos animais devem apoiar as medidas ambientalistas, pois os animais precisam do meio ambiente enquanto recurso&#8221;. A seguir, veremos onde est\u00e1 o equ\u00edvoco com essa vis\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com a vis\u00e3o comum, ambas as propostas &#8211; defesa animal e ambientalsimo &#8211; \u00a0possuem a mesma meta (conseguir o melhor mundo para os seres sencientes) mas discordam em rela\u00e7\u00e3o aos meios para alcan\u00e7ar essa meta. Mas, isso \u00e9 falso. A diverg\u00eancia fundamental entre essas duas propostas \u00e9 quanto aos <em>fins<\/em>, n\u00e3o quanto aos <em>meios<\/em>. O que o ambientalismo almeja com a matan\u00e7a de animais n\u00e3o \u00e9 um mundo melhor para os animais. Pelo contr\u00e1rio: o que o ambientalismo valoriza <em>em si<\/em> s\u00e3o certas entidades n\u00e3o sencientes, como esp\u00e9cies (e n\u00e3o seus membros) e ecossistemas (e n\u00e3o seus habitantes), ou propriedades dessas entidades, como o grau de biodiversidade e de equil\u00edbrio ecol\u00f3gico<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>. O ambientalismo defende que essas entidades possuem valor <em>em si<\/em> (e n\u00e3o enquanto recurso para os seres sencientes). O ambientalismo n\u00e3o quer preservar o meio ambiente enquanto recurso para os animais. Pelo contr\u00e1rio, nessa vis\u00e3o normalmente os animais \u00e9 que s\u00e3o vistos como meros exemplares de esp\u00e9cies e como pe\u00e7as para a manuten\u00e7\u00e3o dos ecossistemas. \u00c9 por essa raz\u00e3o que os ambientalistas defendem que n\u00e3o h\u00e1 nada de errado com a explora\u00e7\u00e3o animal, apesar de todo o sofrimento e mortes que ela causa, desde que seja feita de maneira sustent\u00e1vel<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>. \u00c9 por essa mesma raz\u00e3o que os programas ambientalistas de controle populacional normalmente envolvem matar os animais, descartando completamente a op\u00e7\u00e3o de esteriliz\u00e1-los<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>.<\/p>\n<p>Uma das raz\u00f5es pelas quais h\u00e1 no senso comum essa confus\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 meta que o ambientalismo visa alcan\u00e7ar \u00e9 que a ret\u00f3rica ambientalista tende a colocar as coisas em termos de &#8220;preservar x destruir&#8221; o meio ambiente. Como o ambientalismo lida com quest\u00f5es que afetam os animais selvagens, o p\u00fablico tende ent\u00e3o a pensar que aquilo que almeja \u00e9 preservar o meio ambiente enquanto recurso para os animais. Essa ret\u00f3rica causa confus\u00e3o, pois o meio ambiente pode ser preservado nas mais distintas configura\u00e7\u00f5es. Se nosso objetivo \u00e9 o bem dos animais, ent\u00e3o defenderemos que o meio ambiente deve ser mantido na configura\u00e7\u00e3o que for melhor para os animais. Por exemplo, se modificar a configura\u00e7\u00e3o natural de certo ecossistema for diminuir o sofrimento e o n\u00famero de mortes dos animais, \u00e9 isso o que defenderemos fazer se nosso objetivo \u00e9 o bem dos animais. J\u00e1 as configura\u00e7\u00f5es valorizadas pelo ambientalismo variam de acordo com cada corrente ambientalista, mas nenhuma dessas configura\u00e7\u00f5es \u00e9 baseada na preocupa\u00e7\u00e3o com o bem dos animais. As configura\u00e7\u00f5es de ecossistemas s\u00e3o valorizadas pelo ambientalismo de acordo com seu grau de diversidade<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>, complexidade<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>, raridade<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a>, do tempo que levou para se formar<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a>, do grau de aus\u00eancia de interven\u00e7\u00e3o humana<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a>, do grau com que exibe certas propriedades est\u00e9ticas<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a>, do grau com que representa certos ideais<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a> etc. Ambientalistas defender\u00e3o manter os ecossistemas em configura\u00e7\u00f5es que exibem em maior grau essas propriedades, mesmo que isso aumente a quantidade de sofrimento e de mortes de animais ao longo do tempo. Isso tudo fica oculto quando a quest\u00e3o \u00e9 colocada em termos de &#8220;preservar x destruir&#8221;, pois esconde que h\u00e1 v\u00e1rias configura\u00e7\u00f5es nas quais um ambiente \u00e9 poss\u00edvel de ser preservado, e que as configura\u00e7\u00f5es valorizadas pelo ambientalismo n\u00e3o tem a ver com o bem dos animais.<\/p>\n<p>Por exemplo, ao avaliar qual tipo de vegeta\u00e7\u00e3o \u00e9 melhor que esteja presente em determinado ecossistema, uma \u00e9tica baseada na senci\u00eancia seria guiada por um crit\u00e9rio como &#8220;qual delas resulta em menor quantidade de sofrimento e mortes prematuras para os animais afetados?&#8221;. J\u00e1 uma posi\u00e7\u00e3o ambientalista seria guiada por crit\u00e9rios como &#8220;qual delas apresenta a vegeta\u00e7\u00e3o nativa?&#8221; ou &#8220;qual aumenta a biodiversidade?&#8221;. Est\u00e1 claro ent\u00e3o que tratam-se de metas muito distintas uma da outra.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li><strong> Por que a vis\u00e3o comum est\u00e1 equivocada quanto \u00e0 proposta de ajudar os animais<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A vis\u00e3o comum sobre a proposta de ajudar os animais selvagens tamb\u00e9m \u00e9 equivocada. Em primeiro lugar, n\u00e3o h\u00e1 nenhum de seus defensores que afirme que devemos ajud\u00e1-los mesmo se as consequ\u00eancias de prestar ajuda forem piores do que as de n\u00e3o ajudar. Pelo contr\u00e1rio, o que defendem \u00e9 pesquisar como aumentar o n\u00famero de casos em que ajudar tem maior probabilidade de ter saldo positivo. Em segundo lugar, seus proponentes est\u00e3o cientes da complexidade das intera\u00e7\u00f5es nos ecossistemas e de que estimar os efeitos em longo prazo n\u00e3o \u00e9 algo f\u00e1cil. Entretanto, o que defendem \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de um campo de pesquisa, chamado <em>biologia do bem-estar<\/em><a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a>, cujo objetivo seria estudar como os animais s\u00e3o afetados em seus ecossistemas do ponto de vista do que \u00e9 positivo ou negativo para o seu pr\u00f3prio bem-estar &#8211; isto \u00e9, enquanto indiv\u00edduos pass\u00edveis de serem prejudicados ou beneficiados, e n\u00e3o enquanto componentes de ecossistemas ou exemplares de esp\u00e9cies (como \u00e9 feito na biologia da conserva\u00e7\u00e3o). A biologia do bem-estar incorporaria conhecimentos de \u00e1reas como ecologia, zoologia, ci\u00eancia do bem-estar animal e ci\u00eancia veterin\u00e1ria. O conhecimento proveniente da biologia do bem-estar poderia informar os programas de ajuda, tornando-os cada vez mais seguros e eficientes. Em resumo, o que os proponentes de diminuir o sofrimento dos animais selvagens est\u00e3o a defender \u00e9 que estudar a situa\u00e7\u00e3o de maneira aprofundada tem maior probabilidade de resultar em melhores consequ\u00eancias em longo prazo do que deixar essa quest\u00e3o de lado e &#8220;deixar a natureza seguir o seu curso&#8221;.<\/p>\n<p>Aquela meta que o senso comum atribui equivocadamente ao ambientalismo (diminuir o sofrimento e as mortes dos animais ao longo do tempo) \u00e9 justamente a meta da proposta de ajudar os animais selvagens. Nessa proposta, diferentemente do que acontece no caso do ambientalismo, o bem dos animais \u00e9 a meta: os animais s\u00e3o valorizados <em>em si<\/em> enquanto indiv\u00edduos capazes de sofrer e desfrutar, e n\u00e3o enquanto meras pe\u00e7as para a manuten\u00e7\u00e3o de ecossistemas ou meros exemplares de esp\u00e9cies, como ocorre no ambientalismo.<\/p>\n<p>Essa proposta tamb\u00e9m pode ser bem informada cientificamente: o conhecimento cient\u00edfico n\u00e3o precisa estar restrito a informar medias antropoc\u00eantricas ou ambientalistas. Por exemplo, a ecologia lida com categorias como esp\u00e9cies e ecossistemas, mas isso n\u00e3o implica que, para se obter conhecimento em ecologia ou para se utilizar o conhecimento j\u00e1 existente, seja necess\u00e1rio incorporar uma perspectiva que valoriza <em>em si<\/em> entidades como esp\u00e9cies ou ecossistemas, e n\u00e3o os indiv\u00edduos sencientes. Isso \u00e9 assim porque uma coisa \u00e9 o conhecimento cient\u00edfico, <em>descritivo<\/em>, e outra coisa s\u00e3o as metas <em>normativas<\/em> que guiam o uso desse conhecimento e a busca por novos conhecimentos<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a>. Isso mostra que n\u00e3o s\u00e3o apenas as interven\u00e7\u00f5es ambientalistas que podem ser bem informadas cientificamente. Pensar que sim \u00e9 confundir a <em>ecologia<\/em> (a ci\u00eancia que <em>descreve<\/em> como se d\u00e3o as intera\u00e7\u00f5es nos ecossistemas) com o <em>ambientalismo<\/em> (apenas uma das v\u00e1rias perspectivas <em>normativas<\/em> que poderia se basear nos conhecimentos da ecologia para tentar alcan\u00e7ar suas metas). O conhecimento proveniente da ecologia \u00e9 atualmente mais utilizado para alcan\u00e7ar metas ambientalistas mas, em d\u00e9cadas passadas era predominantemente utilizado para alcan\u00e7ar metas antropoc\u00eantricas. Entretanto, o conhecimento proveniente dessa \u00e1rea (e de outras) poderia ser utilizado igualmente para tentar alcan\u00e7ar a meta de diminuir o sofrimento e as mortes dos animais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li><strong> Uma maneira de entender bem a diferen\u00e7a: imaginar hist\u00f3rias completas de mundo<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dado o que vimos, \u00e9 um erro pensar que as interven\u00e7\u00f5es ambientalistas escolhem prejudicar os animais agora para alcan\u00e7ar o melhor para os animais em longo prazo. Da mesma maneira, \u00e9 um erro pensar que as interven\u00e7\u00f5es para ajudar os animais beneficiam alguns animais agora e negligenciam o impacto disso em longo prazo. Reparar em quais crit\u00e9rios seriam utilizados por ambos os tipos de perspectiva para avaliar o qu\u00e3o boa ou ruim seria a hist\u00f3ria completa do mundo ajudar\u00e1 a perceber as diferen\u00e7as de metas entre essas perspectivas<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a> &#8211; evitando-se assim qualquer confus\u00e3o que possa surgir entre o que uma perspectiva almeja em curto e em longo prazo. Defensores dos animais avaliar\u00e3o a hist\u00f3ria completa do mundo com base em como os seres sencientes ser\u00e3o afetados positiva ou negativamente<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a>. Perspectivas ambientalistas, pelo contr\u00e1rio, avalia\u00e7\u00e3o essa hist\u00f3ria completa do mundo a partir do qu\u00e3o preservadas est\u00e3o certas entidades n\u00e3o sencientes &#8211; estas sim, valorizadas <em>em si<\/em> pelo ambientalismo. Por exemplo, avaliar\u00e3o se os ecossistemas se encontrar\u00e3o em certas configura\u00e7\u00f5es valorizadas pelo ambientalismo. Como vimos, essas configura\u00e7\u00f5es n\u00e3o dizem respeito ao bem dos seres sencientes, mas por exemplo, ao grau com que o ecossistema exibe certas propriedades est\u00e9ticas, seu grau de complexidade, diversidade ou de raridade, se exibe ou n\u00e3o somente membros de esp\u00e9cies nativas, no qu\u00e3o pouco foi transformado por humanos, etc. Isso significa que os ambientalistas poderiam dizer que uma hist\u00f3ria completa de mundo \u00e9 melhor (caso apresente em maior grau os ecossistemas naquelas configura\u00e7\u00f5es), mesmo que seja muito pior para os seres sencientes (por exemplo, mesmo que contenha muito mais sofrimento e mortes prematuras, menos vidas positivas etc.).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"6\">\n<li><strong> Equil\u00edbrio ecol\u00f3gico e biodiversidade coincidem com o que \u00e9 melhor para os animais?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Poderia ser objetado que, apesar de ambas as perspectivas possu\u00edrem metas muito distintas, buscar a biodiversidade e o equil\u00edbrio ecol\u00f3gico coincide com o que \u00e9 melhor para os animais. Entretanto, ao contr\u00e1rio do que por vezes se imagina, essas no\u00e7\u00f5es (biodiversidade e equil\u00edbrio ecol\u00f3gico) n\u00e3o s\u00e3o baseadas no bem dos seres sencientes, e n\u00e3o dependem deste. \u00c9 poss\u00edvel que uma situa\u00e7\u00e3o tenha um alto grau de biodiversidade e\/ou de equil\u00edbrio ecol\u00f3gico, mas tamb\u00e9m nela sejam maximizados o sofrimento e as mortes prematuras dos seres sencientes. \u00c9 poss\u00edvel at\u00e9 mesmo que, dadas duas situa\u00e7\u00f5es, a que apresentar maior grau de biodiversidade e\/ou de equil\u00edbrio ecol\u00f3gico seja muito pior para os seres sencientes.<\/p>\n<p>Da maneira como \u00e9 normalmente utilizada, a no\u00e7\u00e3o de equil\u00edbrio ecol\u00f3gico diz respeito a uma certa estabilidade em rela\u00e7\u00e3o a um estado tomado como refer\u00eancia (geralmente, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 varia\u00e7\u00e3o no tamanho das popula\u00e7\u00f5es mas, como vimos no item 3, os crit\u00e9rios mudam em cada variante do ambientalismo<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a>). J\u00e1 a no\u00e7\u00e3o de biodiversidade diz respeito \u00e0 variedade de esp\u00e9cies. H\u00e1 situa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o equilibradas e nas quais h\u00e1 alto grau de biodiversidade que podem ser terrivelmente ruins para os seres sencientes. Um exemplo \u00e9 a pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o citada no item 1, na qual h\u00e1 estabilidade populacional e biodiversidade mas as taxas de mortalidade prematuras e de vidas onde predominam largamente o sofrimento s\u00e3o na casa dos milhares ou mesmo milh\u00f5es para cada animal que sobrevive at\u00e9 \u00e0 idade adulta.<\/p>\n<p>Poderia ser objetado que, se houvesse maior desequil\u00edbrio ou menos biodiversidade, ent\u00e3o o sofrimento e as mortes prematuras seriam ainda maiores. Entretanto, n\u00e3o \u00e9 assim. Tudo depender\u00e1 de se o maior ou menor grau de equil\u00edbrio ou de biodiversidade resultam em uma maior quantidade de nascimentos em esp\u00e9cies de animais cuja maioria geralmente nasce apenas para sofrer e morrer bastante prematuramente ou em esp\u00e9cies de animais que seus membros tem mais chances de terem vidas positivas. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma correla\u00e7\u00e3o direta entre maiores n\u00edveis de equil\u00edbrio ecol\u00f3gico ou de biodiversidade com a preval\u00eancia de vidas positivas sobre as negativas, e de vidas longas sobre as curtas.<\/p>\n<p>Em resumo: equil\u00edbrio ecol\u00f3gico e biodiversidade apenas coincidentemente poderiam resultar em algo melhor para os animais, e muitas vezes resultam em situa\u00e7\u00f5es altamente negativas para eles. Portanto, se o objetivo \u00e9 conseguir o melhor estado de coisas para os animais, e se \u00e9 poss\u00edvel investigar diretamente como os animais s\u00e3o afetados positiva ou negativamente, se basear no grau de biodiversidade ou de equil\u00edbrio n\u00e3o \u00e9 uma boa ideia.<\/p>\n<ol start=\"7\">\n<li><strong> Por que existe essa confus\u00e3o?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se ambientalismo e considera\u00e7\u00e3o pelos animais possuem objetivos t\u00e3o opostos, por que s\u00e3o t\u00e3o frequentemente confundidos? Por v\u00e1rios motivos. Vimos no item 3 que um motivo poss\u00edvel \u00e9 a ret\u00f3rica que tende a colocar a quest\u00e3o em termos de &#8220;preservar x destruir o meio ambiente&#8221;, ocultando que \u00e9 poss\u00edvel preserv\u00e1-lo em v\u00e1rias configura\u00e7\u00f5es distintas, e que a configura\u00e7\u00e3o almejada pelo ambientalismo n\u00e3o \u00e9 a melhor (ou sequer minimamente boa) para os animais. Outro motivo \u00e9 simplesmente o desconhecimento do que os ambientalistas realmente defendem. Por exemplo, muitos dos representantes centrais da \u00e9tica ambiental (de correntes diversas como ecocentrismo<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a>, biocentrismo<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\">[24]<\/a>, ecologia profunda<a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\">[25]<\/a>, ecologia social<a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\">[26]<\/a> e ecofeminismo<a href=\"#_ftn27\" name=\"_ftnref27\">[27]<\/a>) se posicionam explicitamente contra a considera\u00e7\u00e3o moral plena dos animais n\u00e3o humanos<a href=\"#_ftn28\" name=\"_ftnref28\">[28]<\/a>. Outros poss\u00edveis motivos, como vimos, s\u00e3o as cren\u00e7as equivocada de que biodiversidade e equil\u00edbrio ecol\u00f3gico coincidem com a melhor situa\u00e7\u00e3o para os animais e de que, para se obter e utilizar conhecimento na \u00e1rea de ecologia, \u00e9 necess\u00e1rio adotar uma postura normativa ambientalista.<\/p>\n<p>Outra poss\u00edvel raiz a da confus\u00e3o \u00e9 o fato de que o discurso ambientalista costuma enfatizar o benef\u00edcio que suas interven\u00e7\u00f5es por vezes causam aos animais, e isso pode dar a entender que valorizam <em>em si<\/em> o bem dos animais. Entretanto, por vezes os os animais s\u00e3o ajudados por ambientalistas somente porque em certos casos ajud\u00e1-los \u00e9 um meio para alcan\u00e7ar outras metas &#8211; como a preserva\u00e7\u00e3o de certas esp\u00e9cies ou manter o ecossistema em certa configura\u00e7\u00e3o preferida pelos ambientalistas &#8211; estas sim, valorizadas <em>em si<\/em> pelo ambientalismo. A prova de que a meta do ambientalismo n\u00e3o \u00e9 o bem dos animais \u00e9 que, quando os animais s\u00e3o de esp\u00e9cies abundantes (ou s\u00e3o de esp\u00e9cies n\u00e3o valorizadas pelo ambientalismo) os ambientalistas defendem, em vez disso, programas de matan\u00e7a e\/ou o uso desses animais enquanto recursos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o discurso ambientalista tende a destacar que os animais que s\u00e3o o alvo da matan\u00e7a (normalmente nomeados pelos ambientalistas como pragas) causam danos aos outros animais de esp\u00e9cies que os ambientalistas visam preservar<a href=\"#_ftn29\" name=\"_ftnref29\">[29]<\/a>. Novamente, isso pode dar a entender equivocadamente que a meta ambientalista \u00e9 diminuir a taxa de sofrimento e mortes totais para os animais, mas \u00e9 importante observar que os danos causados pelos animais que s\u00e3o membros das esp\u00e9cies\u00a0 que os ambientalistas valorizam e os danos que sofrem os animais que s\u00e3o membros das esp\u00e9cies que s\u00e3o alvo da matan\u00e7a n\u00e3o s\u00e3o mencionados. Se a preocupa\u00e7\u00e3o fosse com os seres sencientes em geral, danos de igual magnitude receberiam igual peso, independentemente de se s\u00e3o sofridos ou causados por membros de uma esp\u00e9cie rara ou abundante, nativa ou invasora etc. Definitivamente, n\u00e3o \u00e9 o que acontece nas interven\u00e7\u00f5es ambientalistas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"8\">\n<li><strong> H\u00e1 interven\u00e7\u00f5es que defensores dos animais e ambientalistas poderiam concordar?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Vimos que a defesa dos animais e o ambientalismo partem de ideais opostos que, na pr\u00e1tica, frequentemente resultam em prescri\u00e7\u00f5es conflitantes. Entretanto, em rela\u00e7\u00e3o a ajudar os animais selvagens, h\u00e1 v\u00e1rios tipos de propostas que tanto defensores dos animais quanto ambientalistas poderiam apoiar, ainda que por raz\u00f5es distintas.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, \u00e9 interessante observar que as tr\u00eas grandes correntes ambientalistas n\u00e3o tem nenhuma raz\u00e3o para se opor \u00e0 vasta maioria dos programas para ajudar os animais selvagens<a href=\"#_ftn30\" name=\"_ftnref30\">[30]<\/a>. Comecemos pelo <em>ecocentrismo<a href=\"#_ftn31\" name=\"_ftnref31\"><strong>[31]<\/strong><\/a><\/em>, que valoriza determinados ecossistemas (por serem muito complexos, muito raros, terem se formado h\u00e1 muito tempo etc.). A maioria das interven\u00e7\u00f5es para ajudar os animais n\u00e3o extinguiria esses ecossistemas nem alteraria as propriedades dos ecossistemas que os ecocentristas valorizam &#8211; apenas faria com que houvesse menos sofrimento e mortes prematuras para seus habitantes. J\u00e1 o <em>naturocentrismo<a href=\"#_ftn32\" name=\"_ftnref32\"><strong>[32]<\/strong><\/a><\/em> teria de aceitar um n\u00famero ainda maior de interven\u00e7\u00f5es para ajudar os animais do que o ecocentrismo teria que aceitar, pois o naturocentrismo valoriza apenas aqueles ecossistemas que ainda n\u00e3o foram, ou foram pouco, alterados por atividades humanas. Dadas as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas decorrentes de pr\u00e1ticas humanas, com exce\u00e7\u00e3o de talvez alguns ecossistemas nas profundezas do oceano, todos os ecossistemas foram j\u00e1 bastante alterados por pr\u00e1ticas humanas. Portanto, o naturocentrismo teria que aceitar ajudar os animais em todos esses ecossistemas. Por fim, o <em>biocentrismo<a href=\"#_ftn33\" name=\"_ftnref33\"><strong>[33]<\/strong><\/a> <\/em>valoriza o que chama de &#8220;bem pr\u00f3prio&#8221; de cada organismo vivo, senciente ou n\u00e3o. O biocentrismo tem de ent\u00e3o aceitar ainda mais interven\u00e7\u00f5es do que os defensores dos animais t\u00eam que aceitar, pois precisa buscar garantir o bem dos seres sencientes e, adicionalmente, proteger tamb\u00e9m os organismos n\u00e3o sencientes<a href=\"#_ftn34\" name=\"_ftnref34\">[34]<\/a>.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, existem programas de ajuda a animais selvagens que poderiam ajudar a realizar tanto a meta de diminui\u00e7\u00e3o do sofrimento e mortes dos animais quanto as metas ambientalistas. Um exemplo \u00e9 a vacina\u00e7\u00e3o de abelhas<a href=\"#_ftn35\" name=\"_ftnref35\">[35]<\/a>. Ambientalistas t\u00eam raz\u00f5es para aprovar esses programas por preocupa\u00e7\u00e3o com o risco de extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies de abelhas. J\u00e1 defensores dos animais t\u00eam raz\u00f5es para aprovar esses programas porque a vacina\u00e7\u00e3o \u00e9 positiva para as pr\u00f3prias abelhas, impedindo que fiquem doentes e morram. Outro exemplo nesse sentido \u00e9 a prote\u00e7\u00e3o de grandes herb\u00edvoros, como elefantes. Os ambientalistas t\u00eam raz\u00f5es para proteg\u00ea-los porque h\u00e1 v\u00e1rias esp\u00e9cies de elefantes em risco de extin\u00e7\u00e3o. J\u00e1 os defensores dos animais t\u00eam duas fortes raz\u00f5es para apoiar esse tipo de programa. A primeira, \u00e9 que diminui o sofrimento e as mortes dos pr\u00f3prios elefantes, que s\u00e3o ent\u00e3o vacinados, medicados, recebem \u00e1gua, comida, abrigo etc.<a href=\"#_ftn36\" name=\"_ftnref36\">[36]<\/a> A segunda &#8211; e mais importante &#8211; \u00e9 que elefantes consomem uma grande quantidade de vegeta\u00e7\u00e3o que, se estivesse dispon\u00edvel, contribuiria para haver uma maior quantidade de reprodu\u00e7\u00f5es naquelas esp\u00e9cies de animais que maximizam a quantidade de filhotes e cuja vasta maioria nasce apenas para sofrer e morrer prematuramente<a href=\"#_ftn37\" name=\"_ftnref37\">[37]<\/a>. Em resumo, proteger grandes herb\u00edvoros contribui para que seja diminu\u00edda drasticamente a quantidade de animais que nasceria apenas para sofrer e morrer.<\/p>\n<p>Esses s\u00e3o apenas alguns exemplos de interven\u00e7\u00f5es para diminuir o sofrimento e as mortes prematuras de animais selvagens que tanto defensores dos animais quanto ambientalistas poderiam apoiar, apesar das grandes diferen\u00e7as entre essas perspectivas.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol start=\"9\">\n<li><strong> Conclus\u00e3o<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A defesa dos animais e o ambientalismo possuem metas completamente distintas. \u00c9 por essa raz\u00e3o que essas perspectivas conduzem programas muito distintos em rela\u00e7\u00e3o aos animais que vivem na natureza. Assim, se nosso objetivo \u00e9 beneficiar os animais, temos fortes raz\u00f5es para rejeitar os programas ambientalistas que envolvem prejudic\u00e1-los. Em vez disso, temos raz\u00f5es para apoiar programas que realmente visem ajudar os animais, como a biologia do bem-estar. Al\u00e9m disso, vimos tamb\u00e9m que, apesar de todas as suas diverg\u00eancias em termos de metas e fundamentos, h\u00e1 v\u00e1rios tipos de programas de ajuda a animais selvagens que tanto defensores dos animais quanto ambientalistas poderiam apoiar, ainda que por raz\u00f5es distintas.<\/p>\n<p>Vimos tamb\u00e9m que duas cren\u00e7as comuns s\u00e3o equivocadas: (1) a de que a meta ambientalista \u00e9 uma hist\u00f3ria completa de mundo com menos sofrimento e mortes dos animais e; (2) a de que a proposta de ajudar os animais selvagens n\u00e3o \u00e9 cientificamente bem informada. Essas cren\u00e7as equivocadas conduzem v\u00e1rias pessoas a aceitarem os programas ambientalistas que envolvem matan\u00e7as de animais e a rejeitarem a proposta de ajudar os animais na natureza. Entretanto, vimos que aquilo que as pessoas que mant\u00eam essas cren\u00e7as esperam equivocadamente dos programas ambientalistas est\u00e1 a ser proposto de maneira cientificamente bem informada justamente pela proposta de ajudar os animais selvagens. Em resumo, essas pessoas j\u00e1 aceitam a meta de ajudar os animais selvagens; s\u00f3 est\u00e3o confusas em rela\u00e7\u00e3o a qual proposta realizar\u00e1 essa meta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>ANIMAL ETHICS. <em>Introduction to wild animal suffering: <\/em>A guide to the issues. Oakland: Animal Ethics, 2020.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>ATTFIELD, R. <em>A Theory of Value and Obligation. <\/em>London: Croom Helm, 1987a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>ATTFIELD, R. Biocentrism, Moral Standing and Moral Significance. <em>Philosophica<\/em>, v. 39, p. 47-58, 1987b.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>BONNARDEL, Y. 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Contato: luciano.cunha@animal-ethics.org<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Ver por exemplo Bonnardel (1996); Cowen (2003); Cunha (2022); Faria (2016); Faria e Paez (2015); Fink (2005); Horta (2010a; 2011); Johannsen (2020); Mannino (2015); McMahan (2015); Pearce (2015); Sapontzis (1984); Tomasik (2015) e Torres Aldave (2015).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Ver Animal Ethics (2020, p.16-60) e Cunha (2022, p. 19-34).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Sobre isso, ver Horta (2010a, 2011), Animal Ethics (2020, p. 55-59) e Cunha (2022, p. 28-34).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Sobre isso, ver Tomasik (2019).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Ver autores citados na nota 2. Ver tamb\u00e9m Faria e Horta (2020).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Para exemplos desses programas, ver Conabio (2009) e Council of Europe (2016). Para exemplos de autores que defendem esses programas, ver Callicott (1998); Eckersley (1992, p. 46-47); Hettinger (1994, p. 13-14); Rolston (1999, p. 260-61) e Warren (2000, p. 228). Para uma cr\u00edtica \u00e0s interven\u00e7\u00f5es ambientalistas que envolvem matan\u00e7a de animais, ver Shelton (2004), Horta (2010b), Faria (2012), Cunha (2021, p. 131-143) e Etica Animal (2021).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Exemplos de proponentes das v\u00e1rias correntes de ambientalismo ser\u00e3o referidos nos itens 7 e 8.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Para exemplos, ver o posicionamento das seguintes organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas:\u00a0 Convervation International\u00a0\u200c:<a href=\"https:\/\/www.conservation.org\/brasil\/iniciativas-atuais\/pesca-sustentavel\">https:\/\/www.conservation.org\/brasil\/iniciativas-atuais\/pesca-sustentavel<\/a>; EcoCanad\u00e1: <a href=\"https:\/\/eco.ca\/blog\/what-is-sustainable-fishing\/\">https:\/\/eco.ca\/blog\/what-is-sustainable-fishing\/<\/a>; Fundo Amaz\u00f4nia: <a href=\"http:\/\/www.fundoamazonia.gov.br\/pt\/projeto\/Pesca-Sustentavel\/\">http:\/\/www.fundoamazonia.gov.br\/pt\/projeto\/Pesca-Sustentavel\/<\/a>;<\/p>\n<p>GreenPeace:<a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org.uk\/challenges\/sustainable-fishing\/\">https:\/\/www.greenpeace.org.uk\/challenges\/sustainable-fishing\/<\/a>;<\/p>\n<p>Iberdrola:<a href=\"https:\/\/www.iberdrola.com\/compromisso-social\/pesca-sustentavel\">https:\/\/www.iberdrola.com\/compromisso-social\/pesca-sustentavel<\/a>; National Geographic Society: <a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.org\/encyclopedia\/sustainable-fishing\/\">https:\/\/www.nationalgeographic.org\/encyclopedia\/sustainable-fishing\/<\/a> Marine Stewardship Council: <a href=\"https:\/\/www.msc.org\/pt\/o-nosso-trabalho\/o-nosso-proposito\/o-que-e-a-pesca-sustentavel\">https:\/\/www.msc.org\/pt\/o-nosso-trabalho\/o-nosso-proposito\/o-que-e-a-pesca-sustentavel<\/a>; SeaFood Watch: <a href=\"https:\/\/www.seafoodwatch.org\/\">https:\/\/www.seafoodwatch.org\/<\/a>; Sustainable Fisheries Partnership : <a href=\"https:\/\/sustainablefish.org\/\">https:\/\/sustainablefish.org\/<\/a>;WWF; <a href=\"https:\/\/www.wwf.org.br\/natureza_brasileira\/areas_prioritarias\/amazonia1\/nossas_solucoes_na_amazonia\/pesca_sustentavel\/\">https:\/\/www.wwf.org.br\/natureza_brasileira\/areas_prioritarias\/amazonia1\/nossas_solucoes_na_amazonia\/pesca_sustentavel\/<\/a>. Acessados em 16 nov. 2021.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> Para um relato e uma cr\u00edtica, ver \u00c9tica Animal (2021).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Rolston (1992, p. 254).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a>Attfield (1987a, cap. 5) e Rolston (1988, p. 72-3, 184-6).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> Eckersley (1992, p. 46, 47).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> Kirkwood e Sainsbury (1996, p. 239).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> Elliot (1982, p. 81-93).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> Leopold (1949, p. 224-225) e Hargrove (1989, p. 167, 178).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> Sagoff (1974, p. 228).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> Sobre biologia do bem-estar, ver Faria e Horta (2020) e Animal Ethics (2021, p. 136-182).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> Sobre essa distin\u00e7\u00e3o, ver Cunha (2022, p. 186-190).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> Para uma an\u00e1lise detalhada do conflito entre \u00e9tica animal e ambiental, ver Dorado (2015).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a> Para um exemplo dessa abordagem, ver \u00c9tica Animal (2019).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a> Uma situa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 considerada equilibrada ou n\u00e3o dependendo do qu\u00e3o parecido est\u00e1 o ecossistema com o estado em que se encontrava no momento tomado como ponto de refer\u00eancia. Entretanto, como qualquer instante no tempo (e, portanto, qualquer configura\u00e7\u00e3o em que o ecossistema se encontre) pode ser tomado como ponto de refer\u00eancia, essa no\u00e7\u00e3o acaba sendo arbitr\u00e1ria. Por exemplo, os proponentes do ambientalismo classificam o grau com que uma situa\u00e7\u00e3o \u00e9 equilibrada de acordo com o qu\u00e3o bem ela promove o que os ambientalistas valorizam <em>em si<\/em>. Por exemplo, se &#8220;equil\u00edbrio ecol\u00f3gico&#8221; for definido como &#8220;aquela situa\u00e7\u00e3o onde em cada local s\u00f3 h\u00e1 membros de esp\u00e9cies nativas&#8221;, ent\u00e3o obviamente que a mera presen\u00e7a de membros de esp\u00e9cies n\u00e3o nativas causa um desequil\u00edbrio ecol\u00f3gico. Entretanto, isso n\u00e3o indica se o sofrimento ou a quantidade de mortes aumentou o diminuiu. Para uma cr\u00edtica \u00e0s no\u00e7\u00f5es de equil\u00edbrio ecol\u00f3gico e de estabilidade, e uma explica\u00e7\u00e3o do porqu\u00ea esses conceitos n\u00e3o s\u00e3o mais utilizados em ecologia, ver Grimm e Wissel (1997) e L\u00e9v\u00eaque (2003, p. 204-228).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a> Para exemplos, ver Callicott (1980, 1990, p. 103; 1992, p. 146-147; 1998; 2000, p. 211) e Leopold (2000, p. 135).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a> Para exemplos, ver Schweitzer (1962 [1923] p. 354) e Varner (2002, p. 79).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25]<\/a> Para exemplos, ver Devall e Sessions (1985), Fox (1995) e N\u00e6ss (1989, p. 167, 170; 1999, p. 148).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\">[26]<\/a> Ver, por exemplo, a vis\u00e3o defendida por Bookchin (1994),<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref27\" name=\"_ftn27\">[27]<\/a> Ver, por exemplo, a vis\u00e3o defendida por Warren (2000, p. 228).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref28\" name=\"_ftn28\">[28]<\/a> Pra exemplos adicionais, ver Hettinger (1994, p. 13-14), Linkola (2009), Rolston (1999, p. 260-61), Varner (1991, p. 177) e Wenz (1998, p. 308).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref29\" name=\"_ftn29\">[29]<\/a> Para um relato e uma cr\u00edtica, ver \u00c9tica Animal (2021). Para exemplos dessa ret\u00f3rica por parte de ambientalistas, ver Davis (2018) e tamb\u00e9m a posi\u00e7\u00e3o de Brent Beaven, coordenador de um programa de exterm\u00ednio de animais ex\u00f3ticos, entrevistado em Roy (2020).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref30\" name=\"_ftn30\">[30]<\/a> Uma an\u00e1lise detalhada sobre esse ponto pode ser encontrada em Cunha (2015) e em Horta (2018).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref31\" name=\"_ftn31\">[31]<\/a> Exemplos de ecocentristas s\u00e3o Leopold (2000 [1949]) e Callicott (2000).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref32\" name=\"_ftn32\">[32]<\/a> Exemplos de naturocentristas s\u00e3o Elliot (1982) e Katz (1992).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref33\" name=\"_ftn33\">[33]<\/a> Exemplos de biocentristas s\u00e3o Attfield (1987b), Goodpaster (1978) e Taylor (1986). H\u00e1 controv\u00e9rsias sobre se o biocentrismo \u00e9 realmente uma posi\u00e7\u00e3o ambientalista, pois seus proponentes defendem que cada ser vivo \u00e9 um indiv\u00edduo, e n\u00e3o uma parte do ambiente.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref34\" name=\"_ftn34\">[34]<\/a> Poder-se-ia pensar que o biocentrismo rejeitaria as interven\u00e7\u00f5es que implicassem em menor quantidade de organismos vivos nascendo, mas isso \u00e9 equivocado, pois a meta do biocentrismo n\u00e3o \u00e9 maximizar a quantidade de seres vivos, mas garantir o bem pr\u00f3prio de cada organismo vivo.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref35\" name=\"_ftn35\">[35]<\/a> Sobre vacina\u00e7\u00e3o de abelhas, ver Raukko (2018).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref36\" name=\"_ftn36\">[36]<\/a> Sobre programas de prote\u00e7\u00e3o a elefantes, ver Pearce (2015)<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref37\" name=\"_ftn37\">[37]<\/a> Sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a presen\u00e7a de elefantes e uma redu\u00e7\u00e3o significativa da biomassa dispon\u00edvel, ver Cumming et al. (1997) e Guldemond e VanAarde (2008).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O conflito entre defesa dos animais e ambientalismo no que diz respeito a interven\u00e7\u00f5es que afetam os animais selvagens &nbsp; Autor: Luciano Carlos Cunha[1] \u00a0 A situa\u00e7\u00e3o dos animais na natureza, em decorr\u00eancia dos processos naturais &nbsp; Muitas pr\u00e1ticas humanas prejudicam direta ou indiretamente os animais que est\u00e3o na natureza. Entretanto, nos \u00faltimos anos v\u00e1rios &hellip; <a href=\"https:\/\/observatorioantiespecista.com\/index.php\/2022\/11\/08\/o-conflito-entre-defesa-dos-animais-e-ambientalismo-no-que-diz-respeito-a-intervencoes-que-afetam-os-animais-selvagens\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">O conflito entre defesa dos animais e ambientalismo no que diz respeito a interven\u00e7\u00f5es que afetam os animais selvagens<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21],"tags":[],"class_list":["post-129","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-especismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/observatorioantiespecista.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/129","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/observatorioantiespecista.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/observatorioantiespecista.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/observatorioantiespecista.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/observatorioantiespecista.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=129"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/observatorioantiespecista.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/129\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":130,"href":"https:\/\/observatorioantiespecista.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/129\/revisions\/130"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/observatorioantiespecista.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=129"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/observatorioantiespecista.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=129"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/observatorioantiespecista.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=129"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}