{"id":131,"date":"2022-11-08T04:43:27","date_gmt":"2022-11-08T04:43:27","guid":{"rendered":"https:\/\/observatorioantiespecista.com\/?p=131"},"modified":"2022-11-08T04:43:27","modified_gmt":"2022-11-08T04:43:27","slug":"especismo-e-priorizacao-de-causas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/observatorioantiespecista.com\/index.php\/2022\/11\/08\/especismo-e-priorizacao-de-causas\/","title":{"rendered":"Especismo e prioriza\u00e7\u00e3o de causas"},"content":{"rendered":"<p><strong>Especismo e prioriza\u00e7\u00e3o de causas<\/strong><\/p>\n<p>Autor:<\/p>\n<p>Luciano Carlos Cunha<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-132\" src=\"https:\/\/observatorioantiespecista.com\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/3-1-300x169.png\" alt=\"\" width=\"483\" height=\"272\" srcset=\"https:\/\/observatorioantiespecista.com\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/3-1-300x169.png 300w, https:\/\/observatorioantiespecista.com\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/3-1-1024x577.png 1024w, https:\/\/observatorioantiespecista.com\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/3-1-768x433.png 768w, https:\/\/observatorioantiespecista.com\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/3-1-1536x865.png 1536w, https:\/\/observatorioantiespecista.com\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/3-1-1200x676.png 1200w, https:\/\/observatorioantiespecista.com\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/3-1.png 1640w\" sizes=\"auto, (max-width: 483px) 100vw, 483px\" \/><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li><strong> A acusa\u00e7\u00e3o de que defensores dos animais seriam especistas &#8220;anti-humanos&#8221;<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os defensores dos animais s\u00e3o frequentemente criticados por lutarem pelos animais n\u00e3o humanos enquanto h\u00e1 ainda humanos necessitando de ajuda. Essa cr\u00edtica tradicionalmente era feita por quem defendia declaradamente uma posi\u00e7\u00e3o antropoc\u00eantrica<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. Entretanto, uma cr\u00edtica similar por vezes tem sido feita por quem afirma dar igual considera\u00e7\u00e3o aos animais n\u00e3o humanos. Segundo essa nova cr\u00edtica, os defensores dos animais est\u00e3o justificados a lutar pelos animais, mas apenas se lutarem simultaneamente por causas humanas<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p>A partir da d\u00e9cada de 1970 um n\u00famero cada vez mais crescente de autores<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> questionou a pressuposi\u00e7\u00e3o de que o bem dos humanos deveria ter um peso maior, observando o qu\u00e3o arbitr\u00e1rio \u00e9 dar peso diferenciado a n\u00edveis equivalentes de preju\u00edzos e benef\u00edcios, dependendo da esp\u00e9cie dos indiv\u00edduos. Foi ent\u00e3o criado o conceito de especismo<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>, para fazer uma analogia com o racismo. Rejeitar o especismo implica aceitar que a for\u00e7a das raz\u00f5es para evitar prejudicar e para buscar beneficiar deve depender da magnitude dos preju\u00edzos e benef\u00edcios, e n\u00e3o da esp\u00e9cie dos afetados<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>.<\/p>\n<p>A forma mais comum de especismo \u00e9 a antropoc\u00eantrica<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>, que desfavorece quem n\u00e3o pertence \u00e0 esp\u00e9cie humana. \u00c9 por causa do especismo antropoc\u00eantrico que os animais n\u00e3o humanos s\u00e3o explorados para os mais diversos fins, onde geralmente levam uma vida de intenso sofrimento<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a> e literalmente v\u00e1rios trilh\u00f5es deles s\u00e3o mortos a cada ano mundialmente<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>. Esse \u00e9 tamb\u00e9m o motivo pelo qual os animais n\u00e3o humanos normalmente n\u00e3o recebem ajuda quando afetados por processos naturais como fome, sede, doen\u00e7as e desastres naturais<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a> Em resumo, \u00e9 devido ao especismo antropoc\u00eantrico que os animais n\u00e3o humanos passam por situa\u00e7\u00f5es terr\u00edveis que jamais seriam consideradas aceit\u00e1veis se as v\u00edtimas fossem humanas.<\/p>\n<p>Cada vez mais pessoas e grupos de ativismo t\u00eam se autoproclamado <em>antiespecistas<\/em><a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>. Entretanto, algumas dessas pessoas e grupos afirmam que t\u00eam se dedicado a combater o especismo dos pr\u00f3prios defensores dos animais. No entender dessas pessoas, os defensores dos animais seriam especistas &#8220;anti-humanos&#8221; por n\u00e3o se dedicarem simultaneamente para causas humanas<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>. Curiosamente, enquanto antes quem criticava os defensores dos animais com afirma\u00e7\u00f5es como &#8220;por que se preocupar com animais enquanto h\u00e1 humanos precisando de ajuda?&#8221; era quem defendida abertamente o antropocentrismo, agora quem faz uma cr\u00edtica similar, afirmando que os defensores dos animais s\u00f3 podem defender os animais se tamb\u00e9m lutarem por causas humanas, s\u00e3o pessoas que afirmam que rejeitam o especismo.<\/p>\n<p>Neste artigo defenderei que a acusa\u00e7\u00e3o de que os defensores dos animais s\u00e3o especistas &#8220;anti-humanos&#8221; surge de um entendimento completamente equivocado do que \u00e9 o especismo. Importante: o que defenderei n\u00e3o \u00e9 que \u00e9 imposs\u00edvel existir especismo &#8220;anti-humanos&#8221;, e sim, que se dedicar integralmente para a causa animal n\u00e3o \u00e9 uma atitude desse tipo. Defenderei tamb\u00e9m que, para algu\u00e9m considerar errado priorizar defender os animais n\u00e3o humanos, precisa ter uma postura especista antropoc\u00eantrica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong> Por que a acusa\u00e7\u00e3o parte de um entendimento equivocado do que \u00e9 especismo<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A\u00a0 acusa\u00e7\u00e3o de que os defensores dos animais estariam a ser especistas &#8220;anti-humanos&#8221; por n\u00e3o se dedicarem simultaneamente a lutar por causas humanas surge de um entendimento equivocado do que \u00e9 o especismo. O especismo \u00e9 uma discrimina\u00e7\u00e3o contra <em>indiv\u00edduos<\/em>, n\u00e3o contra <em>causas<\/em>. Algu\u00e9m \u00e9 especista se d\u00e1 um peso maior ou menor a n\u00edveis de preju\u00edzos e benef\u00edcios similares em indiv\u00edduos de esp\u00e9cies distintas. Isto \u00e9, rejeitar o especismo requer dar peso igual ao bem de cada ser senciente, independentemente de esp\u00e9cie. Entretanto, disso n\u00e3o se segue que todas as causas s\u00e3o igualmente importantes. Pelo contr\u00e1rio. Diferentes causas lidam com problemas que afetam quantidades de v\u00edtimas diferentes, que est\u00e3o padecendo de sofrimentos de diferentes magnitudes, apresentam taxas de mortalidade diferentes, etc. Al\u00e9m disso as diferentes causas s\u00e3o causas negligenciadas em maior ou menor grau (seja em termos do n\u00famero de ativistas, seja em termos da quantidade de recursos).<\/p>\n<p>\u00c9 por essa raz\u00e3o que quem se dedica integralmente para a causa animal n\u00e3o est\u00e1 a ser especista. Pelo contr\u00e1rio: como veremos nos pr\u00f3ximos itens, \u00e9 exatamente isso o que concluir\u00edamos se n\u00e3o soub\u00e9ssemos a esp\u00e9cie dos afetados. Imaginemos que rejeitamos o especismo e nos preocupamos em mesma medida com cada um dos seres sencientes afetados por nossa decis\u00e3o. Em quais crit\u00e9rios poder\u00edamos nos basear para escolher quais causas priorizar? Uma estrutura bastante utilizada nesse sentido \u00e9 a que junta tr\u00eas crit\u00e9rios<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a>: <em>escala de dano<\/em> (quanto mais grave o problema, maior a prioridade &#8211; normalmente medida em termos da quantidade de v\u00edtimas e da gravidade da situa\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas), <em>grau de neglig\u00eancia<\/em> (quanto mais negligenciado o problema, maior a prioridade) e <em>grau de tratabilidade<\/em> (quanto mais trat\u00e1vel, maior a prioridade). A seguir, avaliaremos o problema que a causa animal lida de acordo com esses crit\u00e9rios, comparando com a situa\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong> A quantidade de v\u00edtimas<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Contabilizando as mortes de vertebrados e invertebrados, terrestres e aqu\u00e1ticos, a explora\u00e7\u00e3o animal mata anualmente algo entre 9 e 25 trilh\u00f5es de animais n\u00e3o humanos<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a>. Observe que esse n\u00famero diz respeito somente \u00e0s mortes de animais na explora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o est\u00e3o computadas as que s\u00e3o resultado indireto de atividades humanas nem as que resultam de doen\u00e7as, sede, fome, desastres naturais etc. J\u00e1 as mortes anuais de humanos (somando-se todas as causas, incluindo causas naturais) \u00e9 estimada em 55,3 milh\u00f5es<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a>. A diferen\u00e7a entre esses n\u00fameros \u00e9 t\u00e3o gigantesca que a maioria de n\u00f3s tem dificuldade em visualiz\u00e1-la. Para efeito de argumenta\u00e7\u00e3o, deixemos de lado a quantidade de invertebrados terrestres mortos e computemos apenas a quantidade de mam\u00edferos, aves, peixes e outros animais aqu\u00e1ticos mortos anualmente: cerca de 3 trilh\u00f5es<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a>. S\u00f3 essa quantia j\u00e1 significa que s\u00e3o mortos por dia mais de 8 bilh\u00f5es de animais n\u00e3o humanos. Isto \u00e9: somente na explora\u00e7\u00e3o animal, <em>por dia<\/em> morre uma quantidade maior de animais n\u00e3o humanos do que a popula\u00e7\u00e3o humana mundial. Se adicionarmos os invertebrados terrestres, a quantia \u00e9 gigantescamente maior.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, h\u00e1 as mortes de animais que vivem fora do controle direto humano (como os animais que est\u00e3o na natureza). Esses animais por vezes sofrem e morrem por conta de fatores parcialmente antropog\u00eanicos, mas quantidades literalmente astron\u00f4micas desses animais possuem vidas repletas de sofrimento e morrem prematuramente j\u00e1 por conta dos pr\u00f3prios processos naturais (doen\u00e7as, fome, sede, desastres naturais etc.)<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a>. Um fator crucial para esse resultado \u00e9 o fato de a maioria das esp\u00e9cies de animais se reproduzir maximizando a quantidade de filhotes, sendo que a vasta maioria morre logo ap\u00f3s o nascimento. Em ninhadas que variam de milhares a milh\u00f5es de filhotes (algo comum em anf\u00edbios, r\u00e9pteis, peixes e invertebrados em geral), em popula\u00e7\u00f5es est\u00e1veis a m\u00e9dia de sobreviventes por ninhada \u00e9 apenas de dois indiv\u00edduos. Todo o restante normalmente nasce apenas para experimentar sofrimento e morrer logo em seguida<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a>. N\u00e3o h\u00e1 estat\u00edsticas sobre essa quantidade de mortes mas sabe-se, por exemplo, que a quantidade total de animais sencientes na natureza em um dado momento est\u00e1 entre 1 e 10 quintilh\u00f5es de indiv\u00edduos<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a>. Isso significa que, se compararmos a popula\u00e7\u00e3o de animais n\u00e3o humanos com a popula\u00e7\u00e3o humana em um dado momento, e fizermos uma analogia com o per\u00edodo de um ano, a popula\u00e7\u00e3o humana representaria no m\u00e1ximo 0,25 segundos (todo o restante seriam animais n\u00e3o humanos).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li><strong> A gravidade da situa\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A vasta maioria dos animais n\u00e3o humanos nasce, ou na explora\u00e7\u00e3o animal ou na natureza. Em ambos os casos, a norma \u00e9 nascerem para ter vidas repletas de sofrimento (em boa parte dos casos, sem nunca ter experi\u00eancia positiva alguma) e para terem uma morte bastante prematura, geralmente extremamente dolorosa. \u00c9 claro, existem humanos que t\u00eam vidas repletas de sofrimento, morrem prematuramente e que tem mortes muito dolorosas. Entretanto, a norma na vida humana n\u00e3o \u00e9 que nas\u00e7am, por exemplo, sofrendo o que equivalente ao que sofrem os animais n\u00e3o humanos explorados ou que est\u00e3o na natureza.<\/p>\n<p>Peguemos como exemplo a situa\u00e7\u00e3o dos animais usados para consumo<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a>. As fazendas industriais est\u00e3o organizadas para criar o maior n\u00famero poss\u00edvel de animais no menor espa\u00e7o poss\u00edvel e com o menor custo poss\u00edvel. A maioria dos animais n\u00e3o t\u00eam espa\u00e7o algum para se mover. Muitos nem conseguem se virar. Vivem em pisos de concreto ou em grades, continuamente sobre os seus excrementos, o que lhes ocasiona v\u00e1rias doen\u00e7as e ferimentos. As galinhas poedeiras, por exemplo, vivem amontoadas em gaiolas superlotadas, em um espa\u00e7o do tamanho de uma folha de papel<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\"><sup>[21]<\/sup><\/a>. Permanecem de p\u00e9 a vida inteira sobre os arames das gaiolas. Em alguns casos, seus p\u00e9s ficam presos na malha met\u00e1lica e, ao serem retiradas para serem encaminhadas ao matadouro, suas pernas quebram e uma parte delas \u00e9 arrancada. Os frangos criados para a produ\u00e7\u00e3o de carne foram geneticamente selecionados para crescerem muito rapidamente<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\"><sup>[22]<\/sup><\/a>. Suas pernas n\u00e3o suportam seu peso, o que lhes causa les\u00f5es e dor, sendo que v\u00e1rios nem conseguem ficar de p\u00e9. Dadas as condi\u00e7\u00f5es de superlota\u00e7\u00e3o, nas fazendas as doen\u00e7as podem se espalhar rapidamente, dando origem a epidemias. Quando isso acontece, \u00e9 comum a matan\u00e7a em massa de animais, incluindo dos saud\u00e1veis, mesmo quando \u00e9 poss\u00edvel trat\u00e1-los (pois isso \u00e9 mais caro do que mat\u00e1-los e substitu\u00ed-los por novos). Isso geralmente \u00e9 feito enterrando os animais vivos e cobrindo-os com cal virgem<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\"><sup>[23]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>As porcas exploradas para fins de reprodu\u00e7\u00e3o ficam quatro meses confinadas em min\u00fasculas caixas de metal com piso de ripas. Elas n\u00e3o podem nem mesmo se virar, e s\u00f3 podem se deitar ou se levantar com grande dificuldade<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\"><sup>[24]<\/sup><\/a>. Seus m\u00fasculos e articula\u00e7\u00f5es s\u00e3o gravemente lesionados e elas literalmente enlouquecem por nunca poderem se mover. Quando os leit\u00f5es s\u00e3o desmamados (a partir de tr\u00eas semanas de idade) elas s\u00e3o novamente engravidadas e o ciclo recome\u00e7a at\u00e9 que tenham tr\u00eas anos, quando s\u00e3o ent\u00e3o mortas.<\/p>\n<p>As vacas s\u00f3 produzem leite ap\u00f3s darem \u00e0 luz. Por isso, s\u00e3o engravidadas continuamente, geralmente por insemina\u00e7\u00e3o artificial. Os produtores n\u00e3o querem que os bezerros bebam o leite, pois diminuiria os lucros. Ent\u00e3o, m\u00e3es e beb\u00eas s\u00e3o separados logo ap\u00f3s o nascimento, o que \u00e9 terrivelmente traum\u00e1tico para ambos, que choram e gritam por v\u00e1rios dias. As vacas s\u00e3o ordenhadas por 10 meses ap\u00f3s serem separadas de seus\u00a0 beb\u00eas. Depois s\u00e3o engravidadas novamente e o ciclo \u00e9 repetido at\u00e9 que estejam completamente exaustas, e s\u00e3o ent\u00e3o mortas.<\/p>\n<p>Os bezerros usados para produzir \u201cvitela\u201d vivem em gaiolas min\u00fasculas nas quais nem mesmo podem se virar. Suas cabe\u00e7as s\u00e3o imobilizadas para que n\u00e3o possam exercitar seus m\u00fasculos, com o objetivo de tornar sua carne o mais macia poss\u00edvel. Por isso, s\u00e3o alimentados com f\u00f3rmulas com baixo teor nutricional, tornando-os t\u00e3o fracos que nem mesmo conseguem andar quando s\u00e3o enviados para serem mortos<a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\"><sup>[25]<\/sup><\/a>. J\u00e1 os filhotes machos de galinhas poedeiras n\u00e3o s\u00e3o criados para serem comidos, pois n\u00e3o cresceriam t\u00e3o r\u00e1pido quanto aqueles selecionados para esse fim. S\u00e3o ent\u00e3o jogados em uma m\u00e1quina de tritura\u00e7\u00e3o ou em uma lata de lixo, onde morrem asfixiados ou esmagados pelos outros filhotes jogados sobre deles.<\/p>\n<p>As galinhas t\u00eam seus bicos cortados com l\u00e2minas quentes. Os leit\u00f5es t\u00eam seus dentes arrancados e as caudas cortadas. Os bois e touros tem seus chifres serrados ou queimados com produtos c\u00e1usticos. Todos os mam\u00edferos s\u00e3o marcados com ferros quentes e t\u00eam arrancados peda\u00e7os de seus corpos (como partes das orelhas). Tudo isso \u00e9 feito sem analg\u00e9sicos ou anestesia, pois custaria dinheiro sem aumento na produtividade.<\/p>\n<p>No transporte at\u00e9 o matadouro, s\u00e3o colocados nos caminh\u00f5es usando espetos, martelos e bast\u00f5es que d\u00e3o choques el\u00e9tricos. As aves s\u00e3o i\u00e7adas como se fossem coisas, geralmente segurando-as pelas pernas e jogando-as nas gaiolas, o que faz com que muitas vezes tenham pernas e ossos quebrados<a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\"><sup>[26]<\/sup><\/a>. As condi\u00e7\u00f5es de superlota\u00e7\u00e3o nos caminh\u00f5es s\u00e3o piores at\u00e9 mesmo\u00a0 do que nas fazendas. Al\u00e9m disso, s\u00e3o expostos ao calor ou frio extremos e n\u00e3o recebem nenhuma comida ou \u00e1gua, pois faz\u00ea-lo n\u00e3o seria lucrativo. V\u00e1rios animais morrem antes de chegarem ao seu destino, o que mostra o quanto sofreram<a href=\"#_ftn27\" name=\"_ftnref27\"><sup>[27]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Chegando no abatedouro, recebem golpes com estacas para que se movam pelos corredores. Quando n\u00e3o conseguem andar, s\u00e3o arrastados com ganchos cravados em diferentes partes dos seus corpos, que por vezes rasgam essas partes. Al\u00e9m disso, podem ver e ouvir outros animais sendo mortos e sentir o cheiro de seu sangue. Depois de serem atordoados s\u00e3o acorrentados pelas pernas e i\u00e7ados do ch\u00e3o, o que por vezes quebra suas pernas. Entretanto, como as filas de animais nos matadouros precisam se mover rapidamente, esse processo \u00e9 feito em alta velocidade, e ent\u00e3o \u00e9 comum que os animais n\u00e3o fiquem atordoados e estejam plenamente conscientes ao serem esfaqueados. Al\u00e9m disso, muitas vezes o esfaqueamento n\u00e3o os mata, e ent\u00e3o s\u00e3o esquartejados, fatiados, tem a pele arrancada ou s\u00e3o fervidos enquanto ainda est\u00e3o totalmente conscientes<a href=\"#_ftn28\" name=\"_ftnref28\"><sup>[28]<\/sup><\/a>. Esse destino aguarda todos os animais usados na alimenta\u00e7\u00e3o, independentemente de terem sido criados em fazendas industriais ou em fazendas &#8220;de cria\u00e7\u00e3o livre&#8221;.<\/p>\n<p>Na pesca, o anzol perfura a boca ou outras partes do corpo e, ao arrastar o peixe para fora da \u00e1gua, puxa todo o peso de seu corpo, perfurando de modo cada vez mais profundo e rasgando cada vez mais a parte do corpo onde foi cravado<a href=\"#_ftn29\" name=\"_ftnref29\"><sup>[29]<\/sup><\/a>. As formas mais comuns pelas quais os animais pescados morrem s\u00e3o<a href=\"#_ftn30\" name=\"_ftnref30\"><sup>[30]<\/sup><\/a>: porque seus \u00f3rg\u00e3os internos explodem devido \u00e0 descompress\u00e3o;\u00a0 sufocamento; tendo seus corpos cortados enquanto ainda est\u00e3o conscientes; esmagamento devido ao peso dos outros animais empilhados ou presos nas redes; golpes na cabe\u00e7a; eletrocuss\u00e3o; hipotermia; envenenamento por di\u00f3xido de carbono ou um tiro na cabe\u00e7a. Outros s\u00e3o cozidos vivos ou at\u00e9 mesmo comidos vivos<a href=\"#_ftn31\" name=\"_ftnref31\">[31]<\/a>.<\/p>\n<p>Devido ao especismo antropoc\u00eantrico, isso \u00e9 feito a bilh\u00f5es de animais n\u00e3o humanos todos os dias e \u00e9 considerado algo plenamente aceit\u00e1vel. Se n\u00e3o soub\u00e9ssemos a que esp\u00e9cie pertencem as v\u00edtimas, certamente considerar\u00edamos tal situa\u00e7\u00e3o como sendo uma forte candidata a receber nossa prioridade. Somente o especismo antropoc\u00eantrico pode fazer algu\u00e9m pensar que as pessoas que se dedicam a lutar contra esse tipo de horror devem ser repreendidas por n\u00e3o estarem, ao mesmo tempo, abordando outros problemas que possuem uma escala de dano muito menor e s\u00e3o muito menos negligenciados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li><strong> Grau de neglig\u00eancia<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A quantidade de pessoas se dedicando a cada causa e os recursos arrecadados n\u00e3o s\u00e3o proporcionais \u00e0 escala de dano do problema que cada causa lida. Por exemplo, de todas as doa\u00e7\u00f5es feitas nos Estados Unidos, 97% do montante arrecadado vai para causas humanas<a href=\"#_ftn32\" name=\"_ftnref32\">[32]<\/a>. Os outros 3% restantes v\u00e3o para causas ambientalistas e de defesa animal (e n\u00e3o se sabe o quanto desses 3% vai para a causa animal). Mesmo entre as pessoas que costumam doar para a causa animal, em m\u00e9dia mais de dois ter\u00e7os de suas doa\u00e7\u00f5es v\u00e3o para causas humanas<a href=\"#_ftn33\" name=\"_ftnref33\">[33]<\/a>. Como observado por Horta (2017, p. 187), existem pessoas que, apesar de serem veganas, acreditam que os humanos devem vir em primeiro lugar. Envolvem-se em causas humanas, mas n\u00e3o fazem nada (ou fazem muito menos) para defender os animais n\u00e3o humanos. Esse \u00e9 um exemplo de uma atitude vinda de veganos, mas especista<a href=\"#_ftn34\" name=\"_ftnref34\">[34]<\/a>. Em resumo, a luta pelos animais \u00e9 muit\u00edssimo mais negligenciada do que a luta pelos humanos, apesar de a causa animal lidar com um problema que possui uma escala de dano astronomicamente maior. Isso acontece justamente devido \u00e0 predomin\u00e2ncia do especismo antropoc\u00eantrico. \u00c9 por essa mesma raz\u00e3o que os humanos j\u00e1 recebem prote\u00e7\u00f5es que os animais n\u00e3o humanos n\u00e3o possuem de maneira alguma, h\u00e1 muito mais pessoas lutando por causas humanas e os recursos dispon\u00edveis para causas humanas s\u00e3o vastamente maiores<a href=\"#_ftn35\" name=\"_ftnref35\">[35]<\/a>. N\u00e3o \u00e9 apenas que os animais n\u00e3o humanos recebem menos ajuda do que recebem os humanos: na vasta maioria dos casos n\u00e3o recebem ajuda alguma e, al\u00e9m disso, s\u00e3o literalmente massacrados como se fossem coisas. Isto \u00e9, dada a vig\u00eancia do especismo antropoc\u00eantrico, nascer como membro da esp\u00e9cie humana \u00e9 ser privilegiado, pois implica receber uma s\u00e9rie de prote\u00e7\u00f5es; nascer como animal n\u00e3o humano \u00e9 receber uma senten\u00e7a de desgra\u00e7a, pois normalmente implica viver uma vida de sofrimento intenso e ter uma morte bastante prematura.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol start=\"6\">\n<li><strong> Tratabilidade<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Poder-se-ia pensar que n\u00e3o h\u00e1 nada que se possa fazer para mudar a situa\u00e7\u00e3o dos animais n\u00e3o humanos. Mas, isso n\u00e3o \u00e9 verdade. Em rela\u00e7\u00e3o aos animais explorados \u00e9 poss\u00edvel escolher n\u00e3o consumi-los e reivindicar mudan\u00e7as de atitude no p\u00fablico e na legisla\u00e7\u00e3o com a meta de abolir esse uso<a href=\"#_ftn36\" name=\"_ftnref36\">[36]<\/a>. J\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o aos animais que est\u00e3o na natureza, j\u00e1 existem programas de ajuda a animais selvagens, e muito mais poderia ser pesquisado nesse sentido. Exemplos s\u00e3o a vacina\u00e7\u00e3o de animais selvagens, ajuda a animais em desastres naturais, estudos sobre o impacto de cada tipo de vegeta\u00e7\u00e3o nas taxas de nascimentos em esp\u00e9cies de animais que tendem a ter vidas predominantemente negativas ou positivas, ou simplesmente evitar interven\u00e7\u00f5es que contribuem para que os processos naturais prejudiquem os animais<a href=\"#_ftn37\" name=\"_ftnref37\">[37]<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"7\">\n<li><strong> Escolhendo causas a partir de uma perspectiva n\u00e3o tendenciosa<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se n\u00e3o soub\u00e9ssemos a que esp\u00e9cie pertencem os afetados por nossa decis\u00e3o, defender\u00edamos uma alt\u00edssima prioridade da causa animal &#8211; n\u00e3o porque ela lida com animais n\u00e3o humanos, mas porque lida com um problema que tem uma escala de dano muit\u00edssimo maior, \u00e9 altamente trat\u00e1vel e \u00e9 muito mais amplamente negligenciada<a href=\"#_ftn38\" name=\"_ftnref38\">[38]<\/a>. \u00c9 por essa raz\u00e3o que priorizar essa causa n\u00e3o \u00e9 uma atitude especista. Pelo contr\u00e1rio: n\u00e3o prioriz\u00e1-la \u00e9 que \u00e9. Se somos antiespecistas ficaremos indignados \u00e9 em saber que, devido a uma prefer\u00eancia por humanos, a vasta maioria das pessoas est\u00e1 priorizando causas que lidam com problemas que possuem uma escala de dano muito menor e s\u00e3o muito menos negligenciados.<\/p>\n<p>Um experimento de pensamento ajudar\u00e1 a refor\u00e7ar essa conclus\u00e3o. Imagine que os pap\u00e9is fossem invertidos, isto \u00e9, que os animais n\u00e3o humanos estivessem na situa\u00e7\u00e3o em que se encontram os humanos, e que os humanos estivessem na terr\u00edvel condi\u00e7\u00e3o em que se encontram os animais n\u00e3o humanos. Imagine tamb\u00e9m que, nessa realidade alternativa, os animais j\u00e1 contariam com v\u00e1rias prote\u00e7\u00f5es que os humanos n\u00e3o possuiriam, e a causa animal j\u00e1 contaria com um n\u00famero muito maior de adeptos e receberia uma quantidade muito maior de recursos. Imagine que nesse mundo fict\u00edcio aquelas poucas pessoas que escolheram ajudar os humanos s\u00e3o acusadas de especismo. Essa acusa\u00e7\u00e3o seria absurda, pois tais pessoas escolheram ajud\u00e1-los n\u00e3o por que s\u00e3o humanos, mas porque nesse mundo fict\u00edcio os humanos est\u00e3o em uma situa\u00e7\u00e3o pior, s\u00e3o uma quantidade de v\u00edtimas muito maior, e s\u00e3o muito mais negligenciados. Quem seria especista, <em>nesse mundo fict\u00edcio<\/em>, \u00e9 quem escolhe n\u00e3o priorizar os humanos. Mas, se \u00e9 assim, ent\u00e3o <em>em nosso mundo real<\/em> priorizar causas humanas \u00e9 ser especista, assim como \u00e9 especista acusar de especismo quem prioriza a causa animal, pois condenar\u00edamos tais atitudes se n\u00e3o soub\u00e9ssemos a esp\u00e9cie dos afetados por essa decis\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol start=\"8\">\n<li><strong> Por que mesmo especistas antropoc\u00eantricos teriam que priorizar a causa animal<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Suponhamos que um sofrimento de mesma magnitude importasse 10 vezes mais em humanos do que em animais n\u00e3o humanos. Isso significaria que, para investirmos em ajudar animais n\u00e3o humanos a mesma quantia de recursos que investir\u00edamos em ajudar humanos, teria de haver 10 animais n\u00e3o humanos sofrendo o equivalente (ou ent\u00e3o, um \u00fanico animal n\u00e3o humano sofrendo 10 vezes mais).<\/p>\n<p>Suponhamos agora que a quantidade anual de animais n\u00e3o humanos que passassem por uma situa\u00e7\u00e3o do sofrimento extremo fosse muito menor do que realmente \u00e9: suponhamos que fosse &#8220;apenas&#8221; um trilh\u00e3o indiv\u00edduos. Imaginemos que a quantidade anual de humanos padecendo de um sofrimento equivalente \u00e0quele do qual padecem os animais n\u00e3o humanos fosse muito maior do que realmente \u00e9: suponhamos fosse o total da popula\u00e7\u00e3o humana (isto \u00e9 7,9 bilh\u00f5es de indiv\u00edduos<a href=\"#_ftn39\" name=\"_ftnref39\">[39]<\/a>). Se o sofrimento humano importasse 10 vezes mais do que o sofrimento equivalente de animais n\u00e3o humanos, ent\u00e3o, o sofrimento dos 7,9 bilh\u00f5es de humanos seria multiplicado por 10 (isto \u00e9, equivaleria ao sofrimento de 79 bilh\u00f5es de animais n\u00e3o humanos). O sofrimento de cada animal n\u00e3o humano, por sua vez, seria multiplicado por 1 (isto \u00e9, 1 trilh\u00e3o). Mesmo fazendo todas essas concess\u00f5es, ainda ter\u00edamos de investir 12,65 vezes mais recursos em ajudar os animais n\u00e3o humanos.<\/p>\n<p>Se levarmos em conta os n\u00fameros reais, a propor\u00e7\u00e3o \u00e9 astronomicamente maior. A popula\u00e7\u00e3o mundial de humanos gira em torno de 7,9 bilh\u00f5es. J\u00e1 a popula\u00e7\u00e3o mundial de animais n\u00e3o humanos sencientes gira em torno de 1 a 10 quintilh\u00f5es<a href=\"#_ftn40\" name=\"_ftnref40\">[40]<\/a>. Isto \u00e9, para cada humano existe algo entre 126 milh\u00f5es a 1,26 bilh\u00f5es de animais n\u00e3o humanos sencientes. Vimos que a imensa maioria dos animais n\u00e3o humanos (seja os que nascem na explora\u00e7\u00e3o, seja os que nascem na natureza) vivem vidas repletas de sofrimento. Al\u00e9m disso, por mais que seja muito ruim a situa\u00e7\u00e3o de muitos humanos, a situa\u00e7\u00e3o da imensa maioria dos animais n\u00e3o humanos \u00e9 geralmente muito pior do que a situa\u00e7\u00e3o da maioria dos humanos.<\/p>\n<p>Assim, levando em conta a situa\u00e7\u00e3o real, para se negar a prioridade de melhorar a situa\u00e7\u00e3o dos animais n\u00e3o humanos teria que ser postulado que o sofrimento de humanos importa pelo menos 126 milh\u00f5es de vezes mais do que o sofrimento equivalente de animais n\u00e3o humanos. Mas isso \u00e9 completamente absurdo. Ali\u00e1s, de um ponto de vista n\u00e3o tendencioso, n\u00e3o h\u00e1 sequer justificativa para se dar um peso levemente maior ao bem dos humanos: sofrimentos equivalentes precisam receber o mesmo peso.<\/p>\n<p>Poderia ser objetado que n\u00e3o importa o n\u00famero de v\u00edtimas, nem a gravidade da situa\u00e7\u00e3o de cada v\u00edtima, e nem o grau de neglig\u00eancia: cada um est\u00e1 justificado a lutar pela causa que bem entender, ou mesmo n\u00e3o lutar por causa nenhuma. Essa \u00e9 certamente uma posi\u00e7\u00e3o altamente question\u00e1vel. Mas, mesmo que fosse uma posi\u00e7\u00e3o plaus\u00edvel, observe o que ela implica: que seus adeptos n\u00e3o tem nenhum motivo para criticar quem luta pelos animais por n\u00e3o se dedicarem tamb\u00e9m para causas humanas.<\/p>\n<p>Em resumo, seja l\u00e1 que posi\u00e7\u00e3o adotemos, a cr\u00edtica aos defensores dos animais n\u00e3o se sustenta. Se rejeitamos o especismo e damos igual peso ao bem de cada ser senciente, segue-se a prioridade da causa animal, pois \u00e9 o que concluir\u00edamos se n\u00e3o soub\u00e9ssemos a esp\u00e9cie dos afetados. Se, por outro lado, damos um peso muito maior ao bem dos humanos, tamb\u00e9m segue-se a prioridade da causa animal, dada a escala de dano astronomicamente maior. Por fim, se afirmamos que cada um est\u00e1 justificado a escolher a causa que bem entender, ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para criticar os defensores dos animais por n\u00e3o lutarem por causas humanas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"9\">\n<li><strong> Por que a acusa\u00e7\u00e3o \u00e9 ela pr\u00f3pria especista antropoc\u00eantrica<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 de se admirar que pessoas que se dizem antiespecistas estejam a focar em criticar quem se dedica integralmente a defender os animais, quando \u00e9 justamente o especismo antropoc\u00eantrico a raz\u00e3o pela qual uma quantidade astron\u00f4mica de seres sencientes t\u00eam vidas repletas de sofrimento extremo e morrem prematuramente.<\/p>\n<p>\u00c9 interessante observar que normalmente apenas os defensores dos animais s\u00e3o cobrados a defenderem causas humanas. Aqueles que se dedicam somente a causas humanas normalmente n\u00e3o s\u00e3o acusados de especismo por n\u00e3o lutarem pelos animais n\u00e3o humanos (acusa\u00e7\u00e3o que, nesse caso, faria sentido, j\u00e1 que est\u00e3o negligenciando aquele problema que dariam prioridade se n\u00e3o soubessem a esp\u00e9cie das v\u00edtimas). Ali\u00e1s, quem se dedica a determinada causa humana n\u00e3o \u00e9 cobrado a lutar por outras causas humanas &#8211; isso \u00e9 cobrado especificamente dos defensores dos animais. Cobram das pouqu\u00edssimas pessoas que se dedicam ao problema com maior escala de dano e mais negligenciado, que passem a se dedicar para outros problemas com escalas de dano muito menores e muito menos negligenciados, s\u00f3 porque as v\u00edtimas desses outros problemas s\u00e3o humanas. Essa atitude, sim, certamente \u00e9 especista. Ali\u00e1s, mesmo quem n\u00e3o se dedica a causa alguma dificilmente recebe o mesmo tipo de cr\u00edtica que recebem os defensores dos animais. Novamente, esse \u00e9 um exemplo gritante de especismo, pois revela que no entender de quem faz a cr\u00edtica, ajudar os animais \u00e9 pior do que n\u00e3o ajudar ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, se o foco da cr\u00edtica s\u00e3o os defensores dos animais por n\u00e3o estarem lutando por causas humanas, isso d\u00e1 a entender n\u00e3o apenas que os ativistas de causas humanas (e mesmo quem n\u00e3o luta por causa alguma) n\u00e3o fazem nada de errado ao n\u00e3o defenderem os animais: d\u00e1 a entender tamb\u00e9m que n\u00e3o fazem nada de errado ao prejudicarem os animais (consumindo-os, por exemplo). Apenas o especismo pode explicar essa disparidade de cobran\u00e7as. Isso tudo sugere fortemente que a acusa\u00e7\u00e3o de especismo que fazem sobre os defensores dos animais \u00e9 simplesmente uma forma de expressar o seu pr\u00f3prio especismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"10\">\n<li><strong> Conclus\u00e3o<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dado o que vimos, a acusa\u00e7\u00e3o de que os ativistas da causa animal estariam a ser especistas &#8220;anti-humanos&#8221; por n\u00e3o se dedicarem simultaneamente \u00e0 causas humanas \u00e9 apenas uma varia\u00e7\u00e3o da vis\u00e3o antropoc\u00eantrica que afirma que ningu\u00e9m deve lutar pelos animais enquanto houver humanos precisando de ajuda. Trata-se de uma varia\u00e7\u00e3o, pois reconhece que \u00e9 correto lutar pelos animais, mas apenas se simultaneamente luta-se pelos humanos (mesmo que os humanos j\u00e1 sejam considerados em maior grau, estejam em muito menor n\u00famero de v\u00edtimas, estejam em uma situa\u00e7\u00e3o muito melhor, j\u00e1 recebam ajuda de uma quantidade imensamente maior de pessoas, mesmo que as causas humanas j\u00e1 recebam muito mais recursos etc.). Obviamente, \u00e9 essa vis\u00e3o que \u00e9 especista, pois privilegia tendenciosamente os humanos.<\/p>\n<p>Enquanto a afirma\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o deve-se lutar pelos animais enquanto houver humanos necessitados surge normalmente de pessoas que se auto declaram antropoc\u00eantricas, a acusa\u00e7\u00e3o de que os defensores dos animais seriam especistas &#8220;anti-humanos&#8221; surge por parte de pessoas que afirmam rejeitar o especismo (apesar de, como vimos, defenderem igualmente o especismo antropoc\u00eantrico). Isso parece mostrar que a estrat\u00e9gia para defender atitudes antropoc\u00eantricas mudou. Antes, os defensores do antropocentrismo assim se declaravam, e argumentavam a favor do mesmo. \u00c0 medida que o antropocentrismo foi cada vez mais sendo reconhecido como injustific\u00e1vel (isto \u00e9, que \u00e9 forma de especismo), seus defensores passaram a dizer que rejeitam o especismo para acusar aqueles que realmente rejeitam o especismo de serem especistas anti-humanos. Independentemente de isso ser feito devido a n\u00e3o terem entendido o que significa ser especista, ou com o prop\u00f3sito deliberado de confundir o p\u00fablico, o resultado \u00e9 o mesmo.<\/p>\n<p>Essa nova estrat\u00e9gia \u00e9 mais dif\u00edcil de ser percebida, pois o interlocutor se apresenta como antiespecista. Al\u00e9m disso, apesar de envolver uma distor\u00e7\u00e3o gigantesca dos conceitos de especismo e antiespecismo, como s\u00e3o conceitos ainda pouco conhecidos, h\u00e1 um risco de o p\u00fablico em geral pensar que rejeitar o especismo significa ser especista antropoc\u00eantrico. As pessoas que realmente rejeitam o especismo deveriam come\u00e7ar a prestar aten\u00e7\u00e3o nessa estrat\u00e9gia pois, para combat\u00ea-la, primeiro \u00e9 necess\u00e1rio perceber que ela existe.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>ANDERSON, J. Donation Preferences and Attitudes Among People Who Donate to Animal Causes. <em>Faunalytics<\/em>, 14 nov. 2018. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/faunalytics.org\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Faunalytics-Blackbaud-Data-Report.pdf\">https:\/\/faunalytics.org\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Faunalytics-Blackbaud-Data-Report.pdf<\/a>. 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Acesso em 20 out. 2022.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>L214 Enqu\u00eate sur les march\u00e9s aux bestiaux en France.. <em>L214<\/em>, 2009. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.l214.com\/video\/marche-bestiaux-2009. Acesso em 20 out. 2022.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>LE NEINDRE, P. Evaluating housing systems for veal calves. <em>Journal of Animal Science<\/em>,\u00a0n. 71, p. 1345-1354, 1993.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>MITCHELL, M. Indicators of physiological stress in broiler chickens during road transportation. <em>Animal Welfare<\/em>, n. 1, p. 91-103, 1992.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>MARCHANT-FORDE, J. N. (org.) <em>The welfare of pigs<\/em>. Dordrecht: Springer, 2008.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>NATIONAL MUSEUM OF NATURAL HISTORY &amp; SMITHSONIAN INSTITUTION. Numbers of insects (species and individuals).\u00a0<em>Encyclopedia Smithsonian, <\/em>2008. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.si.edu\/encyclopedia_si\/nmnh\/buginfo\/bugnos.htm. <em>Acesso em: 15 fev. 2019.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O\u2019DONNELL, P.S. Animals: Ethics, Rights &amp; Law: A Transdisciplinary Bibliography. <em>Environmental Ethics,<\/em> n. 15, p. 75-84, 1993.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>OUR WORLD IN DATA. Number of animals slaughtered for meat, World, 1961 to 2018. <em>Our world in data<\/em>, 2018. Dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/ourworldindata.org\/grapher\/animals-slaughtered-for-meat?country=~OWID_WRL\">https:\/\/ourworldindata.org\/grapher\/animals-slaughtered-for-meat?country=~OWID_WRL<\/a>. Acesso em: 25 set. 2021.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>PITNEY, N. Scientists believe the chickens we eat are being slaughtered while conscious.\u00a0 <em>The Huffington Post<\/em>, 28 out. 2016. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.huffingtonpost.com\/entry\/chickens-slaughtered<\/p>\n<p>conscious_us_580e3d35e4b000d0b157bf98. Acesso em 20 out. 2022.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>ROBB, D. H. F.; KESTIN, S. C. Methods used to kill fish: Field observations and literature reviewed. <em>Animal Welfare<\/em>, n. 11, p. 269-282, 2002.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>ROWE, A. Global cochineal production: scale, welfare concerns, and potential interventions. <em>Effective altruism forum<\/em>, 11 fev. 2020a. Dispon\u00edvel em:\u00a0\u00a0\u00a0 <a href=\"https:\/\/forum.effectivealtruism.org\/posts\/tDYtn4DhFsR7pR35i\/global-cochineal-production-scale-welfare-concerns-and\">https:\/\/forum.effectivealtruism.org\/posts\/tDYtn4DhFsR7pR35i\/global-cochineal-production-scale-welfare-concerns-and<\/a>. Acesso em: 25 set. 2021.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>ROWE, A. Insects raised for food and feed \u2014 global scale, practices, and policy. <em>Rethink priorities<\/em>, 29 jun. 2020b. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/rethinkpriorities.org\/publications\/insects-raised-for-food-and-feed\">https:\/\/rethinkpriorities.org\/publications\/insects-raised-for-food-and-feed<\/a>. Acesso em: 25 set. 2021.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>ROWE, A. Silk production: global scale and animal welfare is<em>sues. <\/em><em>Rethink <\/em><em>prioritie<\/em><em>s<\/em>, 19 abr. 2021. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/rethinkpriorities.org\/publications\/silk-production\">https:\/\/rethinkpriorities.org\/publications\/silk-production<\/a>. Acesso em: 25 set. 2021.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>SANDERS, B. Global Animal Slaughter Statistics And Charts. <em>Faunalytics<\/em>, 10 out. 2018. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/faunalytics.org\/global-animal-slaughter-statistics-and-charts\/\">https:\/\/faunalytics.org\/global-animal-slaughter-statistics-and-charts\/<\/a>. Acesso em: 25 set. 2021.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>SCHUKRAFT, J. Managed honey bee welfare: problems and potential interventions. <em>Rethink priorities<\/em><em>, <\/em>14 nov. 2019. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/rethinkpriorities.org\/publications\/managed-honey-bee-welfare-problems-and-potential-interventions\">https:\/\/rethinkpriorities.org\/publications\/managed-honey-bee-welfare-problems-and-potential-interventions<\/a>. Acesso em: 25 set. 2021.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>SANTOS, A. S.; SOUZA, I. S.; NIERDELE, P. A. O ativismo antirracista e antiespecista do Movimento Afro Vegano nas m\u00eddias sociais. <em>Ci\u00eancias Sociais Unisinos<\/em>, v. 57, n. 3, p. 288-298, set\/dez 2021.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>SOUZA, R. F. 5 momentos em que movimentos sociais se revoltaram com mensagens veganas e animalistas impr\u00f3prias. <em>Veganagente,<\/em> 30 out. 2017a. Dispon\u00edvel em: https:\/\/veganagente.com.br\/mensagens-veganas-animalistas-improprias\/. Acesso em: 26 out. 2022.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>SOUZA, R. F. 10 grandes diferen\u00e7as entre o veganismo popular e o veganismo tradicional n\u00e3o interseccional. <em>Veganagente<\/em>, 20 dez. 2020a. Dispon\u00edvel em: https:\/\/veganagente.com.br\/diferencas-veganismo-popular-tradicional\/. Acesso em: 26 out. 2022.<\/p>\n<p>SOUZA, R. F. Duas imagens anti-interseccionais de setembro de 2016: o que voc\u00ea precisa saber sobre elas e o veganismo interseccional. <em>Veganagente, <\/em>23 nov. 2016a. Dispon\u00edvel em: https:\/\/veganagente.com.br\/imagens-anti-interseccionais-veganismo-interseccional\/<br \/>\nAcesso em: 26 out. 2022.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>SOUZA, R. F. O que o conceito de veganismo (n\u00e3o) diz sobre a considera\u00e7\u00e3o moral pelos seres humanos <em>Veganagente,<\/em> 10 abr. 2017b. Dispon\u00edvel em: https:\/\/veganagente.com.br\/conceito-veganismo-seres-humanos\/. Acesso em: 26 out. 2022.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>SOUZA, R. F. Por que hoje eu escrevo \u201clibertacionismo\u201d e \u201clibertacionista\u201d no lugar de \u201cabolicionismo\u201d e \u201cabolicionista\u201d para falar de Direitos Animais. <em>Veganagente,<\/em> 13 jan. 2020b. Dispon\u00edvel em: https:\/\/veganagente.com.br\/abolicionismo-libertacionismo\/. Acesso em: 26 out. 2022.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>SOUZA, R. F. Os problemas da hist\u00f3ria desenhada \u201cUma estrat\u00e9gia para a liberta\u00e7\u00e3o animal: a mudan\u00e7a necess\u00e1ria\u2026\u201d. <em>Veganagent<\/em><em>e<\/em>, 12 abr. 2016b. Dispon\u00edvel em: https:\/\/veganagente.com.br\/os-problemas-da-historia-desenhada-uma-estrategia-para-a-libertacao-animal-a-mudanca-necessaria\/. Acesso em: 26 out. 2022.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>TOMASIK, B. How Many Animals are There? <em>Essays on Reducing Suffering<\/em>, 7 ago. 2019. Dispon\u00edvel em: http:\/\/reducing-suffering.org\/how-many-wild-animals-a- re-there\/. Acesso em: 4 maio 2020.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>VAN PUTTEN, G. Welfare in veal calf units. <em>Veterinary Record<\/em>,\u00a0n. 111, p. 437-440, 1982.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>WARRICK, J. They die piece by piece. <em>Washington Post<\/em>, 10 abr. 2001. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.washingtonpost.com\/archive\/politics\/2001\/04\/10\/they-die-piece-by-piece\/f172dd3c-0383-49f8-b6d8-347e04b68da1\/. Acesso em 20 out. 2022.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>WEEKS, C. A.; BUTTERWORTH, A. <em>Measuring and auditing broiler welfare<\/em>. Wallingford: CABI, 2004.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Doutor em \u00c9tica e Filosofia Pol\u00edtica pela Universidade Federal de Santa Catarina, coordenador geral das atividades da \u00c9tica Animal no Brasil (www.animal-ethics.org\/pt). Contato: luciano.cunha@animal-ethics.org<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Ver por exemplo a posi\u00e7\u00e3o de Carruthers (1992).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Ver por exemplo a posi\u00e7\u00e3o de Souza (2016a, 2016b, 2017a, 2017b, 2020a, 2020b).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Para uma lista, ver O\u2019donnell (1993).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Sobre a defini\u00e7\u00e3o de especismo e a hist\u00f3ria desse conceito, ver Horta (2010a).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Sobre essas implica\u00e7\u00f5es, ver Cunha (2021a, p. 57-69).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Existem tamb\u00e9m formas de especismo n\u00e3o antropoc\u00eantricas, que constroem degraus de estatura moral entre os animais n\u00e3o humanos. Sobre isso, ver Dunayer (2004, p. 2-4), Horta (2010a, p. 258) e Cunha (2021a, p. 28-30).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Para uma descri\u00e7\u00e3o das v\u00e1rias formas pelas quais sofrem os animais explorados, ver Horta (2017, p. 65-98).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Para estat\u00edsticas, ver Our World in Data (2018), Fishcount (2019), Sanders (2018), Schukraft (2019) e Rowe (2020, 2021a, 2021b).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a>Sobre a situa\u00e7\u00e3o dos animais selvagens, ver Animal Ethics (2020) e Cunha (2022).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Uma busca no Instagram (www.instagram.com) em 19 de setembro 2022 apresentou os seguintes resultados para os termos a seguir (em termos do n\u00famero de publica\u00e7\u00f5es): 133.040 para &#8220;#antiespecismo&#8221;, 35.422 para &#8220;#antiespecista&#8221;, 64.170 para &#8220;#antispeciesism&#8221; 7.009 para &#8220;#antispeciesist&#8221;.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> Por exemplo, Souza (2020a), em uma cr\u00edtica ao que chama de &#8220;veganismo tradicional&#8221; afirma que o mesmo &#8220;defende que os veganos lutem unicamente pelos animais n\u00e3o humanos, ao ponto de hierarquizar as lutas colocando a antiespecista como superior \u00e0s contra outras opress\u00f5es&#8221;. No lugar disso, o autor prop\u00f5e &#8220;que as pessoas lutem, na medida do poss\u00edvel para cada uma delas, tanto contra o especismo quanto contra outras formas de opress\u00e3o&#8221;. O autor defende a mesma posi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m em Souza (2016a, 2017b).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> Sobre essa estrutura, ver EA Concepts (2016) e Cunha (2021, p. 193-228).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> Para estat\u00edsticas sobre a explora\u00e7\u00e3o de invertebrados terrestres, ver Schukraft (2019) e Rowe (2020, 2021a, 2021b). Sobre a explora\u00e7\u00e3o de vertebrados e invertebrados aqu\u00e1ticos, ver ver Fishcount (2019). Sobre vertebrados terrestres, ver Our World in Data (2018) e\u00a0\u00a0 Sanders (2018),<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> Estat\u00edsticas dispon\u00edveis em: https:\/\/www.worldometers.info\/. Acesso em: 26 out. 2022.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> Estat\u00edsticas dispon\u00edveis em Our World in Data (2018) e em Fishcount (2019).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> Sobre isso, ver Animal Ethics (2020, p. 9-59) e Cunha (2022, p. 19-34).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> Sobre esse ponto, ver Horta (2010b) e Cunha (2022, p. 28-34).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> Ver National Museum of Natural History &amp; Smithsonian Institution (2008) e Tomasik (2019).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> Exceto se indicado, a descri\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o dos animais explorados foi retirada de Horta (2017, p. 65-97)<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\"><sup>[21]<\/sup><\/a> Appleby e Hughes (1991); European Food Safety Authority (2005).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\"><sup>[22]<\/sup><\/a> Weeks e Butterworth (2004); Bessei (2006).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\"><sup>[23]<\/sup><\/a> Antena3 (2011); Gayle, D. (2013).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\"><sup>[24]<\/sup><\/a> Marchant-Forde (2008).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\"><sup>[25]<\/sup><\/a> Van Putten (1982) Le Neindre, P. (1993).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\"><sup>[26]<\/sup><\/a> L214 (2009, 2010).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref27\" name=\"_ftn27\"><sup>[27]<\/sup><\/a> Mitchell (1992); Broom (2003); Averos et. al. (2007).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref28\" name=\"_ftn28\"><sup>[28]<\/sup><\/a> Warrick (2001); Pitney (2016).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref29\" name=\"_ftn29\"><sup>[29]<\/sup><\/a> Cooke e Sneddon (2007).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref30\" name=\"_ftn30\"><sup>[30]<\/sup><\/a> Robb e Kestin (2002).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref31\" name=\"_ftn31\">[31]<\/a> Robb e Kestin, <em>Ibid<\/em>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref32\" name=\"_ftn32\">[32]<\/a> Kateman (2021).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref33\" name=\"_ftn33\">[33]<\/a> Anderson (2018, p. 9).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref34\" name=\"_ftn34\">[34]<\/a> H\u00e1 veganos que s\u00e3o contr\u00e1rios at\u00e9 mesmo a fazer compara\u00e7\u00f5es (em termos de import\u00e2ncia moral) da considera\u00e7\u00e3o devida a animais humanos e n\u00e3o humanos (por exemplo, s\u00e3o contr\u00e1rios a afirmar que o especismo \u00e9 t\u00e3o reprov\u00e1vel quanto o racismo). Por exemplo, Santos, Souza e Nierdele (2021, p. 295) descrevem a posi\u00e7\u00e3o defendida por um grupo de ativismo vegano: &#8220;essa equipara\u00e7\u00e3o legitimaria, mesmo que sutilmente, a inferioriza\u00e7\u00e3o das pessoas negras&#8221;. Para outros exemplos de um posicionamento contr\u00e1rio a comparar as discrimina\u00e7\u00f5es sofridas por animais n\u00e3o humanos e humanos com base na alega\u00e7\u00e3o de que isso seria inferiorizar os humanos, ver Souza (2016b, 2017a, 2020b). Para uma defesa da posi\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria, isto \u00e9, de que o especismo n\u00e3o \u00e9 menos injusto do que discrimina\u00e7\u00f5es contra humanos, ver Cunha (2021b).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref35\" name=\"_ftn35\">[35]<\/a> Al\u00e9m disso, boa parte dos recursos destinados \u00e0 causas humanas s\u00e3o utilizados na compra de produtos de origem animal, o que contribui para o aumento da quantidade de animais que sofrem e morrem.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref36\" name=\"_ftn36\">[36]<\/a> Aqui \u00e9 poss\u00edvel ver uma an\u00e1lise sobre estrat\u00e9gias poss\u00edveis para a causa animal: https:\/\/www.sentienceinstitute.org\/foundational-questions-summaries<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref37\" name=\"_ftn37\">[37]<\/a> Sobre formas de ajud\u00e1-los e o que mais poderia ser pesquisado nesse sentido, ver Animal Ethics (2020, p. 60-85, 136-182; ); Faria e Horta (2020) e Cunha (2022, cap. 8.2 e 9.4).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref38\" name=\"_ftn38\">[38]<\/a> Exatamente com base nesses tr\u00eas crit\u00e9rios, a <em>Giving What We Can<\/em>, organiza\u00e7\u00e3o especializada em recomendar doa\u00e7\u00f5es eficientes, recomenda a causa animal como uma das prioridades mais altas. Ver https:\/\/www.givingwhatwecan.org\/cause-areas<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref39\" name=\"_ftn39\">[39]<\/a> https:\/\/www.worldometers.info\/. Acesso em: 26 out. 2022.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref40\" name=\"_ftn40\">[40]<\/a> Ver Tomasik (2019).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especismo e prioriza\u00e7\u00e3o de causas Autor: Luciano Carlos Cunha[1] &nbsp; \u00a0 A acusa\u00e7\u00e3o de que defensores dos animais seriam especistas &#8220;anti-humanos&#8221; &nbsp; Os defensores dos animais s\u00e3o frequentemente criticados por lutarem pelos animais n\u00e3o humanos enquanto h\u00e1 ainda humanos necessitando de ajuda. Essa cr\u00edtica tradicionalmente era feita por quem defendia declaradamente uma posi\u00e7\u00e3o antropoc\u00eantrica[2]. Entretanto, &hellip; <a href=\"https:\/\/observatorioantiespecista.com\/index.php\/2022\/11\/08\/especismo-e-priorizacao-de-causas\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Especismo e prioriza\u00e7\u00e3o de causas<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21],"tags":[24,12,25],"class_list":["post-131","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-especismo","tag-antiespecismo","tag-especismo","tag-veganismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/observatorioantiespecista.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/131","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/observatorioantiespecista.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/observatorioantiespecista.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/observatorioantiespecista.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/observatorioantiespecista.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=131"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/observatorioantiespecista.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/131\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":134,"href":"https:\/\/observatorioantiespecista.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/131\/revisions\/134"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/observatorioantiespecista.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=131"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/observatorioantiespecista.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=131"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/observatorioantiespecista.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=131"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}