{"id":136,"date":"2022-11-14T15:21:49","date_gmt":"2022-11-14T15:21:49","guid":{"rendered":"https:\/\/observatorioantiespecista.com\/?p=136"},"modified":"2022-11-14T15:23:24","modified_gmt":"2022-11-14T15:23:24","slug":"por-que-a-senciencia-e-nao-a-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/observatorioantiespecista.com\/index.php\/2022\/11\/14\/por-que-a-senciencia-e-nao-a-vida\/","title":{"rendered":"Por que a senci\u00eancia e n\u00e3o a vida?"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Por que a senci\u00eancia e n\u00e3o a vida?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Luciano Carlos Cunha<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\u00a0 Indira de Freitas Nimer<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><\/a><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-139\" src=\"https:\/\/observatorioantiespecista.com\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Design-sem-nome-300x251.png\" alt=\"\" width=\"429\" height=\"359\" srcset=\"https:\/\/observatorioantiespecista.com\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Design-sem-nome-300x251.png 300w, https:\/\/observatorioantiespecista.com\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Design-sem-nome-768x644.png 768w, https:\/\/observatorioantiespecista.com\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Design-sem-nome.png 940w\" sizes=\"auto, (max-width: 429px) 100vw, 429px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os <a href=\"https:\/\/www.animal-ethics.org\/senciencia-secao\/\">seres sencientes<\/a> s\u00e3o aqueles seres capazes de ter experi\u00eancias. Possuem uma perspectiva de primeira pessoa &#8211; isto \u00e9, n\u00e3o s\u00e3o meros corpos vazios. Faz sentido perguntar: &#8220;como ser\u00e1 que \u00e9 ser um peixe?&#8221;. Por outro lado, n\u00e3o parece fazer sentido perguntar: &#8220;como ser\u00e1 que \u00e9 ser um sapato?&#8221;. Isso \u00e9 assim porque <a href=\"https:\/\/www.animal-ethics.org\/seres-sao-conscientes\/\">o peixe \u00e9 senciente<\/a> e o sapato n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p>Por vezes \u00e9 dito que respeitar todos os seres sencientes \u00e9 apenas um primeiro passo, pois o ideal mesmo \u00e9 respeitar tudo o que \u00e9 vivo. A seguir apresentaremos algumas raz\u00f5es para defender que o crit\u00e9rio da senci\u00eancia \u00e9 o crit\u00e9rio adequado de considera\u00e7\u00e3o moral, e n\u00e3o o crit\u00e9rio da vida.<\/p>\n<p>Algumas pessoas adotam o crit\u00e9rio da vida porque acreditam que a senci\u00eancia diz respeito somente ao sofrimento. Essas pessoas afirmam que, se o que importasse fosse a senci\u00eancia, e n\u00e3o a vida, ent\u00e3o n\u00e3o haveria nada de errado em matar os animais, desde que de maneira indolor. No entanto, esse entendimento \u00e9 equivocado. A senci\u00eancia diz respeito a todas as experi\u00eancias, n\u00e3o apenas as negativas. Portanto, o sofrimento n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica forma pela qual os seres sencientes s\u00e3o prejudicados. A aus\u00eancia de experi\u00eancias positivas tamb\u00e9m caracteriza uma forma de preju\u00edzo. \u00c9 exatamente por essa raz\u00e3o que <a href=\"https:\/\/www.animal-ethics.org\/interesse-em-viver\/\">a morte \u00e9 um dano<\/a>. A morte prejudica algu\u00e9m n\u00e3o porque faz com que perca sua vida biol\u00f3gica, mas porque impede que desfrute das experi\u00eancias positivas que teria caso continuasse vivo. Tanto \u00e9 assim que uma vida meramente biol\u00f3gica &#8211; sem possibilidade alguma de ter experi\u00eancias ou de voltar a t\u00ea-las, nem mesmo sonhos ou pensamentos &#8211; seria exatamente o mesmo que morrer. Em resumo, a explica\u00e7\u00e3o de por que a morte \u00e9 um dano depende exatamente da senci\u00eancia.<\/p>\n<p>J\u00e1 outras pessoas pensam que o adequado \u00e9 respeitar tudo o que \u00e9 vivo porque acreditam que todas as coisas vivas n\u00e3o sencientes s\u00e3o pass\u00edveis de serem prejudicadas. Mas \u00e9 dif\u00edcil imaginar como isso seria poss\u00edvel. Em primeiro lugar, \u00e9 a senci\u00eancia que determina se certa entidade \u00e9 <em>algu\u00e9m<\/em> e n\u00e3o<em> algo<\/em>. \u00c9 o que indica que se, naquele corpo, h\u00e1 algu\u00e9m capaz de experimentar o mundo &#8211; isto \u00e9, que n\u00e3o \u00e9 um corpo vazio. Coisas vivas n\u00e3o sencientes, por outro lado, s\u00e3o <em>literalmente<\/em> corpos vazios. N\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m ali para sentir coisa alguma. Portanto, n\u00e3o h\u00e1 ali algu\u00e9m que seria poss\u00edvel prejudicar ou beneficiar. Em segundo lugar, o fato de as experi\u00eancias serem experimentadas como positivas ou negativas \u00e9 o que torna poss\u00edvel que os seres sencientes sejam prejudicados ou beneficiados &#8211; \u00e9 o que faz com que prefiram certas coisas em vez de outras. Novamente, \u00e9 dif\u00edcil imaginar como \u00e9 poss\u00edvel organismos vivos n\u00e3o sencientes serem literalmente prejudicados. J\u00e1 que n\u00e3o experimentam certas coisas como positivas e outras como negativas (pois n\u00e3o experimentam nada &#8211; n\u00e3o h\u00e1 algu\u00e9m ali para experimentar as coisas), n\u00e3o possuem uma prefer\u00eancia por se encontrarem nesse ou naquele estado.<\/p>\n<p>Outro problema com o crit\u00e9rio da vida \u00e9 que, al\u00e9m de considerar seres que n\u00e3o s\u00e3o pass\u00edveis de serem prejudicados, excluiria certos seres pass\u00edveis de serem prejudicados. At\u00e9 o momento, todos os seres sencientes s\u00e3o tamb\u00e9m seres vivos (ainda que, como vimos, h\u00e1 muitos seres vivos que n\u00e3o s\u00e3o sencientes). Mas \u00e9 poss\u00edvel que no futuro haja <a href=\"https:\/\/animalcharityevaluators.org\/blog\/why-digital-sentience-is-relevant-to-animal-activists\/\">seres sencientes que n\u00e3o ser\u00e3o biol\u00f3gicos.<\/a> Se a senci\u00eancia aparecer toda vez que certas condi\u00e7\u00f5es estiverem presentes (ainda que atualmente n\u00e3o se saiba ao certo quais s\u00e3o essas condi\u00e7\u00f5es) ent\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que no futuro surjam seres sencientes em meios digitais. Por exemplo, a <a href=\"https:\/\/www.animal-ethics.org\/criterios-reconhecer-senciencia\/\">presen\u00e7a de um sistema nervoso com um \u00f3rg\u00e3o centralizador<\/a> (como um c\u00e9rebro, por exemplo) parece desempenhar uma fun\u00e7\u00e3o tal que cria as condi\u00e7\u00f5es para o aparecimento da senci\u00eancia. Mas, \u00e9 poss\u00edvel que a senci\u00eancia apare\u00e7a toda vez que a mat\u00e9ria estiver organizada de modo a desempenhar a mesma fun\u00e7\u00e3o, independentemente do tipo de substrato em que acontece &#8211; e n\u00e3o apenas nos seres cujo corpo \u00e9 feito de carbono (isto \u00e9, os seres vivos).<\/p>\n<p>O ponto \u00e9: se pensarmos que devemos considera\u00e7\u00e3o moral apenas a entidades vivas, ent\u00e3o n\u00e3o daremos considera\u00e7\u00e3o moral aos seres que, apesar de serem igualmente capazes de sofrer e desfrutar, n\u00e3o ser\u00e3o organismos biol\u00f3gicos. Seria feito a eles todas as coisas horr\u00edveis que s\u00e3o feitas atualmente aos animais n\u00e3o humanos. Por outro lado, se nossa preocupa\u00e7\u00e3o for com todos os seres pass\u00edveis de serem prejudicados e beneficiados, ent\u00e3o daremos a todos os seres sencientes o mesmo grau de considera\u00e7\u00e3o moral, independentemente de serem biol\u00f3gicos ou n\u00e3o biol\u00f3gicos. Isto \u00e9, se o que nos importa \u00e9 evitar prejudicar e buscar beneficiar, ent\u00e3o rejeitaremos n\u00e3o apenas o <em>especismo<\/em>, mas tamb\u00e9m o <em>substratismo<\/em>.<\/p>\n<p>Por tudo o que foi apontado, se o que importa para saber quem devemos respeitar \u00e9 saber quem \u00e9 pass\u00edvel de ser prejudicado ou beneficiado, ent\u00e3o parece que temos fortes raz\u00f5es para adotar o crit\u00e9rio da senci\u00eancia, e n\u00e3o o crit\u00e9rio da vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Doutor em \u00c9tica e Filosofia Pol\u00edtica pela Universidade Federal de Santa Catarina. Contato: luciano.cunha@animal-ethics.org<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Bacharelanda em Filosofia pela Universidade do Sul de Santa Catarina. Contato: indiranimer.eticaanimal@gmail.com<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Por que a senci\u00eancia e n\u00e3o a vida? \u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Luciano Carlos Cunha[1] \u00a0 Indira de Freitas Nimer[2] &nbsp; &nbsp; Os seres sencientes s\u00e3o aqueles seres capazes de ter experi\u00eancias. Possuem uma perspectiva de primeira pessoa &#8211; isto \u00e9, n\u00e3o s\u00e3o meros corpos vazios. 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