{"id":145,"date":"2023-01-09T14:02:16","date_gmt":"2023-01-09T14:02:16","guid":{"rendered":"https:\/\/observatorioantiespecista.com\/?p=145"},"modified":"2023-01-09T14:06:25","modified_gmt":"2023-01-09T14:06:25","slug":"145","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/observatorioantiespecista.com\/index.php\/2023\/01\/09\/145\/","title":{"rendered":"O que \u00e9 \u00e9tica animal?"},"content":{"rendered":"<p><strong>O que \u00e9 \u00e9tica animal?<\/strong><\/p>\n<p>por Luciano Carlos Cunha<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-146\" src=\"https:\/\/observatorioantiespecista.com\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Design-sem-nome-300x150.jpg\" alt=\"\" width=\"1066\" height=\"533\" srcset=\"https:\/\/observatorioantiespecista.com\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Design-sem-nome-300x150.jpg 300w, https:\/\/observatorioantiespecista.com\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Design-sem-nome-1024x512.jpg 1024w, https:\/\/observatorioantiespecista.com\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Design-sem-nome-768x384.jpg 768w, https:\/\/observatorioantiespecista.com\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Design-sem-nome-1536x768.jpg 1536w, https:\/\/observatorioantiespecista.com\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Design-sem-nome-2048x1024.jpg 2048w, https:\/\/observatorioantiespecista.com\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Design-sem-nome-1200x600.jpg 1200w, https:\/\/observatorioantiespecista.com\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Design-sem-nome-1980x990.jpg 1980w\" sizes=\"auto, (max-width: 1066px) 100vw, 1066px\" \/><\/p>\n<p><em>Introdu\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A \u00e9tica trata de como dever\u00edamos agir e por qu\u00ea. Assim, a \u00e9tica animal discute como dever\u00edamos agir (e por que) quando nossas decis\u00f5es afetam os animais n\u00e3o humanos. A seguir est\u00e1 um breve resumo do t\u00f3pico central discutido em \u00e9tica animal: a quest\u00e3o do especismo.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>A situa\u00e7\u00e3o t\u00edpica dos animais<\/em><\/p>\n<p>Os animais n\u00e3o humanos <a href=\"https:\/\/www.animal-ethics.org\/exploracao-animal-introducao\/\">sofrem e morrem sendo explorados nos mais diversos setores<\/a>: para a fabrica\u00e7\u00e3o de produtos aliment\u00edcios, em experimentos, vestu\u00e1rio, entretenimento, transporte, como trabalhadores etc. Os <a href=\"https:\/\/www.animal-ethics.org\/animais-usados-alimentacao-introducao\/\">animais criados para consumo normalmente passam por sofrimento intenso durante toda a vida<\/a>. Por exemplo, muitos deles s\u00e3o amontoados em uma \u00fanica gaiola, sem nunca poderem se mover durante toda a vida, sofrem com in\u00fameras doen\u00e7as e tem de se deitar por cima de seus excrementos. Al\u00e9m disso, independentemente de terem sido criados sob condi\u00e7\u00f5es intensivas ou nas chamadas fazendas de cria\u00e7\u00e3o livre, os animais <a href=\"https:\/\/www.animal-ethics.org\/morte-animais-usados-para-alimentacao\/\">s\u00e3o mortos geralmente por m\u00e9todos que causam enorme sofrimento<\/a> (n\u00e3o \u00e9 incomum que sejam escaldados, esquartejados ou tenham sua pele arrancada quando ainda est\u00e3o plenamente conscientes<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>), al\u00e9m de <a href=\"https:\/\/www.animal-ethics.org\/caminho-abatedouro\/\">sofrerem muito no transporte at\u00e9 os matadouros<\/a>. Al\u00e9m do sofrimento, h\u00e1 tamb\u00e9m o dano da morte: literalmente v\u00e1rios trilh\u00f5es de animais n\u00e3o humanos morrem todos os anos, somente para consumo<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. Isso significa que a quantidade de animais morta mundialmente <em>por dia<\/em> j\u00e1 \u00e9 maior do que a popula\u00e7\u00e3o humana mundial. Como as v\u00edtimas s\u00e3o animais n\u00e3o humanos, tal situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 normalmente vista como um problema pela maioria das pessoas (\u00e9 normalmente vista como um problema apenas se afetar indiretamente os interesses humanos ou amea\u00e7ar a preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente).<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o t\u00edpica dos animais que est\u00e3o na natureza tamb\u00e9m \u00e9 altamente negativa. Muitos dos danos dos quais padecem s\u00e3o resultados diretos ou indiretos de pr\u00e1ticas humanas. Entretanto, independentemente de a\u00e7\u00e3o humana, <a href=\"https:\/\/www.animal-ethics.org\/a-situacao-dos-animais-na-natureza\/\">os processos naturais j\u00e1 os prejudicam em alto grau<\/a>. S\u00e3o rotineiramente v\u00edtimas de desastres naturais, condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas hostis, doen\u00e7as, fome, sede etc.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. Al\u00e9m disso, a<a href=\"https:\/\/www.animal-ethics.org\/dinamica-populacoes-sofrimento-animais\/\"> maneira como acontece a din\u00e2mica de popula\u00e7\u00f5es<\/a> tende a maximizar a quantidade de animais que nasce apenas para sofrer e morrer de modo bastante prematuro. Isso ocorre porque a maior parte das esp\u00e9cies de animais se reproduz maximizando a quantidade de filhotes (algo comum em r\u00e9pteis, anf\u00edbios, peixes e em invertebrados em geral), que v\u00e3o desde milhares at\u00e9 muitos milh\u00f5es por ninhada, dependendo da esp\u00e9cie. Em per\u00edodos de aproximada const\u00e2ncia populacional, em m\u00e9dia sobrevivem at\u00e9 \u00e0 idade adulta apenas 2 filhotes de cada ninhada. Todo o restante nasce geralmente apenas para experimentar sofrimento intenso e morrer, sem nunca ter tido nenhuma experi\u00eancia positiva<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. Ainda que atualmente n\u00e3o se saiba como prevenir v\u00e1rios desses danos, <a href=\"https:\/\/www.animal-ethics.org\/ajudando-os-animais-na-natureza\/\">h\u00e1 muito que j\u00e1 poderia ser feito para ajudar esses animais<\/a> em muitos casos<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a> e muito mais poderia ser pesquisado<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>. Entretanto, novamente, por se tratar do sofrimento e das mortes de animais n\u00e3o humanos, a maior parte das pessoas, ou n\u00e3o v\u00ea isso como um problema relevante, ou v\u00ea como um problema relevante apenas se afetar indiretamente os interesses humanos ou as metas ambientalistas, como a preserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade ou do equil\u00edbrio ecol\u00f3gico. O bem dos pr\u00f3prios animais n\u00e3o \u00e9 normalmente visto como importante <em>em si<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O especismo: dois pesos e duas medida, dependendo da esp\u00e9cie dos afetados<\/em><\/p>\n<p>Como vimos, o uso de animais n\u00e3o humanos como recursos \u00e9 amplamente aceito e praticado. Entretanto, fazer o mesmo com humanos \u00e9 amplamente considerado inaceit\u00e1vel. Por exemplo, se humanos estivessem a ser criados e mortos para serem transformados em comida, dificilmente seria dito que as raz\u00f5es para sermos vegetarianos tem a ver com a preocupa\u00e7\u00e3o com a pr\u00f3pria sa\u00fade ou com o meio ambiente. Em vez disso, seria reconhecido que a injusti\u00e7a que as v\u00edtimas sofrem \u00e9 uma raz\u00e3o suficiente para tal. Por\u00e9m, como as v\u00edtimas reais s\u00e3o animais n\u00e3o humanos, o discurso \u00e9 o oposto: a preocupa\u00e7\u00e3o com os animais \u00e9 colocada em \u00faltimo lugar (quando aparece), atr\u00e1s da preocupa\u00e7\u00e3o com os interesses humanos e das metas ambientalistas &#8211; atitude que \u00e9 por vezes reproduzida, inclusive, dentro do ativismo da causa animal.<\/p>\n<p>Vimos tamb\u00e9m que os animais na natureza padecem de enorme sofrimento e mortalidade que poderiam em muitos casos serem evitados, mas normalmente escolhe-se n\u00e3o ajud\u00e1-los. Entretanto, se as v\u00edtimas fossem humanas, seria amplamente considerado importante ajud\u00e1-los (por preocupa\u00e7\u00e3o com o pr\u00f3prio bem das v\u00edtimas, e n\u00e3o por uma preocupa\u00e7\u00e3o indireta ambientalista).<\/p>\n<p>Esses dois tipos de situa\u00e7\u00f5es evidenciam que a maior parte das pessoas se baseia em um padr\u00e3o moral duplo, dependendo de se as v\u00edtimas pertencem ou n\u00e3o \u00e0 esp\u00e9cie humana. \u00c9 poss\u00edvel justificar essa disparidade ou trata-se de uma forma de discrimina\u00e7\u00e3o contra quem n\u00e3o pertence a certa esp\u00e9cie (que vem sendo chamada de <em><a href=\"https:\/\/www.animal-ethics.org\/especismo-pt\/\">especismo<\/a><a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><strong>[8]<\/strong><\/a><\/em>, por analogia ao racismo)?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 poss\u00edvel justificar um tratamento privilegiado a humanos?<\/em><\/p>\n<p>V\u00e1rias tem sido as tentativas de justificar essa disparidade. A principal delas aponta que os animais n\u00e3o humanos carecem de certas capacidades ou rela\u00e7\u00f5es (como capacidades cognitivas complexas, um senso de justi\u00e7a, o entendimento do que s\u00e3o direitos, uma linguagem, a capacidade de contribu\u00edrem para a sociedade, rela\u00e7\u00f5es de reciprocidade, terem poder suficiente para defenderem a si pr\u00f3prios etc.). Entretanto, seja l\u00e1 qual for a capacidade ou rela\u00e7\u00e3o escolhida, h\u00e1 uma enorme quantidade de humanos que tamb\u00e9m n\u00e3o as possui: beb\u00eas, crian\u00e7as at\u00e9 certa idade, v\u00edtimas de certos acidentes ou doen\u00e7as que afetam as capacidades cognitivas etc. Muitos desses humanos sequer t\u00eam o potencial para vir a desenvolver essas capacidades, j\u00e1 que sua condi\u00e7\u00e3o \u00e9 irrevers\u00edvel. Entretanto, se a falta dessas capacidades ou rela\u00e7\u00f5es nesses humanos n\u00e3o pode justificar trat\u00e1-los pior (muito menos poderia justificar fazer a eles o que \u00e9 rotineiramente feito aos animais n\u00e3o humanos), ent\u00e3o a falta dessas capacidades ou rela\u00e7\u00f5es nos animais n\u00e3o humanos n\u00e3o poderia justificar trat\u00e1-los pior do que os humanos (muito menos poderia justificar o que \u00e9 feito rotineiramente a eles<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>). Ali\u00e1s, a falta dessas capacidades ou rela\u00e7\u00f5es naqueles humanos \u00e9 normalmente vista como uma raz\u00e3o para dar-lhes um cuidado ainda maior, e n\u00e3o para causar-lhes sofrimento ou a morte. Ent\u00e3o, a falta dessas capacidades ou rela\u00e7\u00f5es nos animais n\u00e3o humanos \u00e9, igualmente, uma raz\u00e3o para lhes dar um cuidado ainda maior, e n\u00e3o para justificar prejudic\u00e1-los.<\/p>\n<p>H\u00e1 autores que defendem que, mesmo que n\u00e3o possuam essas capacidades, aqueles humanos devem ser respeitados, pois pertencem \u00e0 esp\u00e9cie humana, ao passo que os animais n\u00e3o humanos devem ser exclu\u00eddos porque n\u00e3o possuem aquelas capacidades<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>. Mas, perceba que esse argumento j\u00e1 assume de antem\u00e3o aquilo que visa provar: primeiro tenta justificar o crit\u00e9rio da esp\u00e9cie apontando que ele revela quem possui ou n\u00e3o certas capacidades ou rela\u00e7\u00f5es, e depois utiliza o pr\u00f3prio crit\u00e9rio da esp\u00e9cie para dizer quando o crit\u00e9rio das capacidades e rela\u00e7\u00f5es deve ser utilizado ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A import\u00e2ncia da senci\u00eancia<\/em><\/p>\n<p>Saber quem possui capacidades cognitivas complexas \u00e9 certamente relevante para saber quem deve ser responsabilizado. \u00c9 por isso que um adulto normal \u00e9 responsabiliz\u00e1vel e um beb\u00ea n\u00e3o \u00e9. Mas, isso n\u00e3o implica que tamb\u00e9m seja relevante para saber quem deveria ser respeitado. Algu\u00e9m precisa de respeito porque \u00e9 pass\u00edvel de ser prejudicado e beneficiado, e n\u00e3o porque possui capacidades cognitivas complexas<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>. \u00c9 por essa raz\u00e3o que a <em><a href=\"https:\/\/www.animal-ethics.org\/senciencia-secao\/\">senci\u00eancia<\/a><\/em> (a capacidade de ter experi\u00eancias) \u00e9 relevante para saber quem devemos respeitar, pois determina: (1) quais seres s\u00e3o algu\u00e9m (e n\u00e3o, meramente, algo) e (2) quais seres s\u00e3o capazes de ser prejudicados e beneficiados (uma vez que as experi\u00eancias s\u00e3o experimentadas como positivas ou negativas). \u00c9 por essa raz\u00e3o que os animais n\u00e3o humanos precisam de considera\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 porque pertencem ao reino animal, ou porque est\u00e3o vivos em um sentido biol\u00f3gico (como est\u00e3o as plantas, por exemplo). \u00c9 simplesmente porque s\u00e3o pass\u00edveis de serem prejudicados com a presen\u00e7a de estados mentais negativos (todas as formas de sofrimento, f\u00edsico ou psicol\u00f3gico) ou com a aus\u00eancia de estados mentais positivos (que <a href=\"https:\/\/www.animal-ethics.org\/interesse-em-viver\/\">acontece quando morrem<\/a>, por exemplo).<\/p>\n<p>Se temos raz\u00f5es para considerar moralmente algu\u00e9m porque ele \u00e9 pass\u00edvel de ser prejudicado e beneficiado, ent\u00e3o, a for\u00e7a dessas raz\u00f5es depende da magnitude dos preju\u00edzos e benef\u00edcios em jogo, e n\u00e3o da esp\u00e9cie a qual pertence ou de suas capacidades ou rela\u00e7\u00f5es. Isso sugere ent\u00e3o que n\u00e3o apenas n\u00e3o h\u00e1 justificativa para excluir os animais n\u00e3o humanos da esfera de considera\u00e7\u00e3o moral: tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 justificativa para dar-lhes uma considera\u00e7\u00e3o menor<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>. Em uma abordagem n\u00e3o tendenciosa, preju\u00edzos e benef\u00edcios de magnitude similar recebem o mesmo peso, independentemente da esp\u00e9cie, ra\u00e7a, g\u00eanero, capacidades, rela\u00e7\u00f5es etc. de quem receberia esses preju\u00edzos ou benef\u00edcios. \u00c9 por essa raz\u00e3o que o especismo \u00e9 an\u00e1logo ao racismo: ambos violam esse princ\u00edpio e, por isso, s\u00e3o formas de discrimina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Testando se uma atitude \u00e9 ou n\u00e3o especista<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 algumas perguntas muito simples que sempre podemos fazer para testarmos se estamos sendo ou n\u00e3o tendenciosos contra os animais n\u00e3o humanos. Por exemplo, podemos perguntar se considerar\u00edamos a atitude em quest\u00e3o justa<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a>: (1) se n\u00e3o soub\u00e9ssemos a esp\u00e9cie dos que seriam prejudicados e dos que seriam beneficiados por ela; (2) se n\u00e3o soub\u00e9ssemos a esp\u00e9cie a qual pertencemos; (3) se suas v\u00edtimas fossem humanas, padecendo de danos de mesma magnitude; (4) se os pap\u00e9is fossem invertidos (por exemplo, se os benefici\u00e1rios fossem animais n\u00e3o humanos, e os prejudicados fossem humanos); (5) se tiv\u00e9ssemos que receber os preju\u00edzos que ela causa para poder alcan\u00e7ar os benef\u00edcios obtidos por ela.<\/p>\n<p>Ao que parece, sob tais condi\u00e7\u00f5es, aquilo que \u00e9 feito atualmente aos animais n\u00e3o humanos (sua explora\u00e7\u00e3o e a neglig\u00eancia em receberem ajuda) seria amplamente considerado injusto, ou mesmo hediondo. Parece tamb\u00e9m que, sob tais condi\u00e7\u00f5es, rejeitar\u00edamos dar graus diferenciados de considera\u00e7\u00e3o moral dependendo da esp\u00e9cie a qual um ser senciente pertence ou de suas capacidades. Isso tudo parece indicar n\u00e3o apenas que n\u00e3o h\u00e1 justificativa para aquilo que \u00e9 feito aos animais n\u00e3o humanos, mas que tamb\u00e9m devemos fazer algo para tentar mudar essa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>ANIMAL ETHICS. <em>Introduction to wild animal suffering: <\/em>A guide to the issues. Oakland: Animal Ethics, 2020.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>CUNHA, L. C. <em>Raz\u00f5es para ajudar: o sofrimento dos animais selvagens e suas implica\u00e7\u00f5es \u00e9ticas<\/em>. Curitiba: Appris, 2022.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>CUNHA, L. C. <em>Uma breve introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e9tica animal<\/em>: desde as quest\u00f5es cl\u00e1ssicas at\u00e9 o que vem sendo discutido atualmente. Curitiba: Appris, 2021a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>EHNERT, J. <em>The argument from species overlap<\/em>. Blacksburg: Virginia Polytechnic Institute and State University, 2002.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>FISHCOUNT. Fishcount estimates of numbers of individuals killed in (FAO) reported fishery production. <em>Fishcount: <\/em>Reducing suffering in fisheries, 2019. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/fishcount.org.uk\/studydatascreens\/2016\/fishcount_estimates_list.php\">http:\/\/fishcount.org.uk\/studydatascreens\/2016\/fishcount_estimates_list.php<\/a>. Acesso em: 24 ago. 2021.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>HORTA, O. Debunking the Idyllic View of Natural Processes: Population Dynamics and Suffering in the Wild. <em>T\u00e9los<\/em>, v. 17, p. 73-88, 2010.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>HORTA, O. 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Global cochineal production: scale, welfare concerns, and potential interventions. <em>Effective altruism forum<\/em>, 11 fev. 2020a. Dispon\u00edvel em:\u00a0\u00a0\u00a0 <a href=\"https:\/\/forum.effectivealtruism.org\/posts\/tDYtn4DhFsR7pR35i\/global-cochineal-production-scale-welfare-concerns-and\">https:\/\/forum.effectivealtruism.org\/posts\/tDYtn4DhFsR7pR35i\/global-cochineal-production-scale-welfare-concerns-and<\/a>. Acesso em: 25 set. 2021.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>ROWE, A. Insects raised for food and feed \u2014 global scale, practices, and policy. <em>Rethink priorities<\/em>, 29 jun. 2020b. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/rethinkpriorities.org\/publications\/insects-raised-for-food-and-feed\">https:\/\/rethinkpriorities.org\/publications\/insects-raised-for-food-and-feed<\/a>. Acesso em: 25 set. 2021.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>ROWE, A. Silk production: global scale and animal welfare is<em>sues. <\/em><em>Rethink <\/em><em>prioritie<\/em><em>s<\/em>, 19 abr. 2021. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/rethinkpriorities.org\/publications\/silk-production\">https:\/\/rethinkpriorities.org\/publications\/silk-production<\/a>. Acesso em: 25 set. 2021.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>ROWLANDS, M. <em>Animal rights: <\/em>Moral, theory and practice. 2<sup>a<\/sup>\u00a0ed. New York: Palgrave Macmillan, 2009 [1998].<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>SCHUKRAFT, J. Managed honey bee welfare: problems and potential interventions. <em>Rethink priorities<\/em><em>, <\/em>14 nov. 2019. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/rethinkpriorities.org\/publications\/managed-honey-bee-welfare-problems-and-potential-interventions\">https:\/\/rethinkpriorities.org\/publications\/managed-honey-bee-welfare-problems-and-potential-interventions<\/a>. Acesso em: 25 set. 2021.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>SCRUTON, R. <em>Animal rights and wrongs<\/em>. London: Metro, 1996.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>SINGER, P. <em>\u00c9tica Pr\u00e1tica<\/em>. 3 ed. Trad. Jefferson L. Camargo. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2002.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Notas<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Doutor em \u00c9tica e Filosofia Pol\u00edtica pela Universidade Federal de Santa Catarina, coordenador geral no Brasil das atividades da ONG \u00c9tica Animal (www.animal-ethics.org\/pt).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Para uma descri\u00e7\u00e3o detalhada do sofrimento dos animais explorados, ver Horta (2017, p. 65-98).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Para estat\u00edsticas, ver Fishcount (2019), Our World in Data (2018), Rowe (2020a, 2020b, 2021) e Schukraft (2019).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Ver Animal Ethics (2021, p. 8-59) e Cunha (2022, p. 19-34).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Sobre isso, ver Horta (2010) e Animal Ethics (2021, p. 55-59).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Ver Animal Ethics (2021, p. 60-85), Cunha (2022, p. 280-284).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Ver Animal Ethics (2021, p. 136-182).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Sobre a defini\u00e7\u00e3o de especismo, ver Horta (2022 [2010]) e Horta e Albersmeier (2020).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Esse argumento \u00e9 discutido em detalhes em Ehnert (2002).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> Ver, por exemplo e Scruton (1996, p. 54-55).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Esse argumento \u00e9 desenvolvido em mais detalhes em Horta (2018) e Cunha (2021, p. 57-61).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> Para uma explica\u00e7\u00e3o mais detalhada sobre esse princ\u00edpio, ver Singer (2002, cap. 3) e Cunha (2021, p. 61-66)<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> Um m\u00e9todo similar \u00e9 sugerido por Rowlands (2009 [1998], p. 118-175).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que \u00e9 \u00e9tica animal? por Luciano Carlos Cunha[1] Introdu\u00e7\u00e3o \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A \u00e9tica trata de como dever\u00edamos agir e por qu\u00ea. Assim, a \u00e9tica animal discute como dever\u00edamos agir (e por que) quando nossas decis\u00f5es afetam os animais n\u00e3o humanos. 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